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Indicação geográfica transforma café do Caparaó em referência de qualidade

Região antes conhecida pelo pior café do Brasil hoje colhe prêmios e valorização com a indicação geográfica do Café do Caparaó.

13 de junho de 2026 4 min de leitura
Indicação geográfica transforma café do Caparaó em referência de qualidade

A região do Caparaó, antes estigmatizada como produtora do "pior café do Brasil", virou referência em café especial após conquistar a indicação geográfica (IG) Café do Caparaó. Produzido em altitudes acima de 1.200 metros, o grão agora acumula prêmios, melhora renda de produtores e posiciona o território na rota do café de alta qualidade.

O que aconteceu

Produtores de Minas Gerais e Espírito Santo se organizaram para mudar a imagem histórica do café do Caparaó, considerado por décadas um produto de baixa qualidade e destinado a blends baratos.

Com foco em qualidade, boas práticas de pós-colheita e identidade territorial, o grupo estruturou um processo de reconhecimento de origem. O resultado foi a concessão da indicação geográfica Café do Caparaó, que passou a certificar cafés produzidos em áreas de montanha com características próprias de terroir.[7]

A IG impulsionou a participação dos cafés da região em concursos, nacionais e internacionais, com amostras frequentemente acima de 86 pontos na escala de cafés especiais. A nova reputação abriu portas para vendas diretas, microlotes rastreados e contratos com cafeterias de nicho.

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Por que importa para o agro

A virada do Caparaó mostra como origem, qualidade e organização coletiva podem multiplicar o valor do café, mesmo em áreas antes vistas como marginalizadas. Em vez de competir apenas por volume, a região passou a disputar mercado por diferenciação, elevando preços pagos por saca e criando oportunidades para pequenos produtores.

O caso reforça que indicações geográficas são ferramenta estratégica para o agro brasileiro, especialmente em culturas onde terroir e história contam na decisão de compra, como café, vinhos, queijos e cacau. Quando bem estruturadas, ajudam a formalizar padrões mínimos de qualidade, fortalecer marca regional e abrir acesso a nichos premium no Brasil e no exterior.

Dados e contexto

  • O café do Caparaó é produzido em altitudes geralmente acima de 1.200 metros, condição que favorece maturação mais lenta e maior complexidade de sabor.[7]
  • A IG reúne municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, integrando propriedades de montanha com forte presença de agricultura familiar.[7]
  • Cafés especiais são, em geral, classificados com mínimo de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA); muitos lotes do Caparaó superam 86 pontos, entrando na faixa mais valorizada do mercado.
  • Estudos da Embrapa Café indicam que cafés especiais podem alcançar preços 30% a 100% superiores aos cafés convencionais com mesmo custo básico de produção, dependendo do mercado.
  • O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, com cerca de 40% da produção global, segundo o USDA; a fatia de cafés especiais, embora menor, cresce acima da média do mercado tradicional.
Exemplo simplificado de ganho potencial com valor agregado:
Tipo de caféPreço relativo da saca*

| Café commodity padrão | 100% | | Café especial regional | 130%–150% | | Microlote premiado (IG) | até 200% |

\*Percentuais aproximados a partir de levantamentos de mercado e instituições setoriais.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas de outras regiões podem usar o modelo Caparaó como referência: organização em torno de uma marca territorial, foco em qualidade comprovada, participação em concursos e construção de canais diretos com torrefadores e cafeterias. Para o Caparaó, os próximos passos passam por consolidar a rastreabilidade da IG, ampliar a oferta de microlotes consistentes ano a ano e estruturar turismo de experiência em fazendas, mantendo a qualidade como eixo central para sustentar preços mais altos e relações comerciais de longo prazo.

Fontes

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