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Indústria de fertilizantes usa novos dados para pressionar por subsídio de R$ 2 bi

Setor de fertilizantes apresenta estudo de impacto econômico e reforça pedido de subsídio de R$ 2 bilhões ao governo para enxofre e ácido sulfúrico.

02 de setembro de 2026 4 min de leitura
Indústria de fertilizantes usa novos dados para pressionar por subsídio de R$ 2 bi

A indústria brasileira de fertilizantes apresentou um estudo com dados inéditos sobre o impacto do setor na economia para reforçar, em Brasília, o pedido de subsídio de até R$ 2 bilhões à compra de enxofre e ácido sulfúrico. A proposta mira um apoio emergencial por três meses, diante da disparada dos preços desses insumos e do risco de queda na oferta de adubos para a safra 2026/27.

O que aconteceu

Representantes das fabricantes de fertilizantes levaram ao governo federal um levantamento que quantifica o peso do setor no PIB, no emprego e nas exportações do agro. A estratégia é mostrar que o custo fiscal do subsídio seria menor do que as perdas potenciais provocadas por uma redução na adubação das lavouras e na produção de grãos.

O pedido central é uma subvenção temporária para a compra de enxofre, matéria-prima essencial para fertilizantes fosfatados, com custo hoje até 10 vezes maior do que antes da escalada de tensões no Oriente Médio. A conta apresentada gira em torno de R$ 2 bilhões para sustentar a operação das fábricas por cerca de três meses, num modelo de compensação parcial entre o preço internacional e um patamar considerado viável para a indústria.

Segundo o setor, sem essa ajuda parte das unidades pode reduzir produção ou parar, agravando a já prevista queda nas entregas de adubos em 2026, estimada entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas, abaixo das 49 milhões de toneladas de 2025.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o subsídio pode ser a diferença entre encontrar fertilizante fosfatado disponível ou enfrentar escassez em plena janela de plantio da safra 2026/27. Em cenário de crédito caro e margens apertadas, qualquer novo choque de preço ou falta de produto tende a acelerar o corte de dose de adubação, com reflexos diretos em produtividade.

No mercado, uma quebra na produção nacional elevaria ainda mais a dependência de importados num momento de volatilidade global. A conta recai sobre o agro: menos oferta interna, câmbio volátil e fretes altos podem pressionar a relação de troca fertilizante/grão e reduzir a competitividade do Brasil em soja, milho e outras culturas, afetando receitas de exportação e arrecadação.

Dados e contexto

  • O setor calcula que um subsídio entre R$ 900 milhões e R$ 2 bilhões pode evitar perdas estimadas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões à economia em um único ciclo agrícola, caso a falta de adubos reduza a produtividade.
  • A proposta em discussão inclui compensar cerca de 50% da diferença entre o preço atual do enxofre e um teto de referência por tonelada.
  • O preço do enxofre saltou de patamares em torno de US$ 100/t para ofertas próximas de US$ 1.200/t para a indústria brasileira.
  • As entregas de fertilizantes no país vinham na casa de 45 a 49 milhões de toneladas/ano, com forte participação de produtos importados.
  • O Brasil importa cerca de 85% a 90% dos fertilizantes que consome, segundo séries históricas de Embrapa e MAPA, o que torna o país sensível a choques de preços internacionais.
  • Estimativas de consultorias apontam para queda superior a 10% nas entregas de adubos em 2026, em meio a demanda retraída, juros altos e incerteza sobre oferta de matérias-primas.
IndicadorSituação recente aproximada
Dependência de fertilizantes importados85%–90% do consumo nacional

| Entregas em 2025 | ~49 milhões t | | Projeção de entregas em 2026 | 42–45 milhões t | | Impacto potencial sem subsídio | Perdas de R$ 20–30 bi em um ciclo | | Valor pedido em subsídio | Até R$ 2 bilhões por ~3 meses |

O que observar daqui pra frente

No curto prazo, o ponto-chave é se o governo aceitará o desenho de subsídio de três meses ou oferecerá alternativa, como crédito direcionado ou incentivos fiscais maiores ao Profert. Produtores devem acompanhar o desfecho das negociações para ajustar o timing de compra de fertilizantes, avaliar oportunidades em eventuais quedas de preços e antecipar decisões de adubação para a safra 2026/27, considerando risco de aperto de oferta e de novas oscilações cambiais.

Fontes

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