Indústria do trigo cobra medidas para reduzir dependência externa
Com importações em alta, indústria do trigo apresenta ao próximo governo propostas para ampliar a produção nacional e dar previsibilidade à cadeia.
A indústria brasileira do trigo prepara uma pauta de reivindicações para o próximo governo em meio ao aumento da dependência externa. A cadeia quer políticas para ampliar a produção nacional, melhorar a qualidade do cereal e reduzir os riscos de abastecimento. O tema ganhou força após o Brasil registrar o maior volume de importações em cerca de três décadas.
O que aconteceu
A indústria defende uma estratégia de longo prazo para o trigo, com medidas que envolvam crédito, seguro rural, pesquisa, infraestrutura e regras comerciais. O objetivo é dar mais segurança ao produtor e estimular o avanço da área cultivada, especialmente no Sul do país.
A cadeia também pede ações para elevar a qualidade do trigo nacional. A oferta brasileira atende apenas parte do consumo interno, e os moinhos dependem de diferentes origens para ajustar características como força, estabilidade e teor de proteína nas farinhas.
A concentração das compras externas na Argentina reduz custos logísticos, mas aumenta a exposição do mercado brasileiro às condições da safra, à política comercial e ao câmbio do país vizinho. Em períodos de menor oferta doméstica, essa dependência pode pressionar os preços e afetar toda a cadeia de alimentos.
Por que importa para o agro
Para o produtor, uma política mais previsível pode reduzir o risco de investir no trigo. O cereal disputa área com culturas de maior liquidez, como soja e milho, e costuma apresentar maior vulnerabilidade a geadas, excesso de chuva e perdas de qualidade na colheita.
Para moinhos, indústrias de massas, panificação e biscoitos, o aumento da produção nacional pode melhorar o planejamento de compras. A oferta local, porém, precisa combinar volume, padrão industrial e regularidade. Sem esses requisitos, a importação continuará necessária mesmo em anos de boa colheita.
Dados e contexto
- O USDA projetou as importações brasileiras em 6,7 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, após revisar a estimativa inicial de 6 milhões de toneladas.
- Em junho de 2025, o Brasil importou 487 mil toneladas. A Argentina respondeu por 94% do volume, e o Paraguai, por 6%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
- Entre janeiro e outubro de 2025, as importações chegaram a 6 milhões de toneladas, alta de 1,2% sobre o mesmo período de 2024 e o maior volume para esses dez meses desde 2013.
- O USDA apontou que a Argentina respondeu por aproximadamente 80% das compras brasileiras de trigo em 2025.
- A Conab estimou produção brasileira de 5,74 milhões de toneladas para a safra 2025/26 e importações de 7,06 milhões de toneladas, diante da queda de área e produtividade.
O que observar daqui para frente
O próximo governo deverá definir se pretende ampliar a autossuficiência parcial do país ou manter a dependência das compras externas como principal mecanismo de abastecimento. Para o setor, os pontos críticos serão o orçamento do seguro rural, as condições de financiamento, a política de preços mínimos, o acesso a sementes adaptadas e as regras de importação. A resposta influenciará decisões de plantio, custos industriais e preços de derivados como farinha, pão e massas.
Fontes
- AgFeed – Com maior importação em 30 anos, indústria do trigo tem pauta de pedidos para próximo governo
- USDA – Grain and Feed Update: Brazil
- Conab – Estimativa de produção e importações de trigo
- apps.fas.usda.gov
- apps.fas.usda.gov
- fas.usda.gov
- apps.fas.usda.gov
- agrolink.com.br
- cepea.org.br
- cnnbrasil.com.br
- scotconsultoria.com.br
Continue lendo
Cacau brasileiro amplia presença internacional após evento em Paris
Participação brasileira no Salão do Chocolate de Paris abriu novos negócios e reforçou a qualidade do cacau produzido na Bahia, no Pará e no Espírito Santo.
Artesã paulista amplia produção e conquista clientes no exterior após presente a Ana Hickmann
Bolsa entregue a Ana Hickmann fez artesã de Sales Oliveira ganhar 50 mil seguidores, triplicar a produção e receber pedidos internacionais.
China desacelera compras agrícolas dos EUA e testa acordo de US$ 17 bilhões
Compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA, fora a soja, podem atingir o menor nível em sete anos, ampliando a incerteza no comércio global.