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Indústria do trigo cobra medidas para reduzir dependência externa

Com importações em alta, indústria do trigo apresenta ao próximo governo propostas para ampliar a produção nacional e dar previsibilidade à cadeia.

22 de outubro de 2026 4 min de leitura
Indústria do trigo cobra medidas para reduzir dependência externa

A indústria brasileira do trigo prepara uma pauta de reivindicações para o próximo governo em meio ao aumento da dependência externa. A cadeia quer políticas para ampliar a produção nacional, melhorar a qualidade do cereal e reduzir os riscos de abastecimento. O tema ganhou força após o Brasil registrar o maior volume de importações em cerca de três décadas.

O que aconteceu

A indústria defende uma estratégia de longo prazo para o trigo, com medidas que envolvam crédito, seguro rural, pesquisa, infraestrutura e regras comerciais. O objetivo é dar mais segurança ao produtor e estimular o avanço da área cultivada, especialmente no Sul do país.

A cadeia também pede ações para elevar a qualidade do trigo nacional. A oferta brasileira atende apenas parte do consumo interno, e os moinhos dependem de diferentes origens para ajustar características como força, estabilidade e teor de proteína nas farinhas.

A concentração das compras externas na Argentina reduz custos logísticos, mas aumenta a exposição do mercado brasileiro às condições da safra, à política comercial e ao câmbio do país vizinho. Em períodos de menor oferta doméstica, essa dependência pode pressionar os preços e afetar toda a cadeia de alimentos.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, uma política mais previsível pode reduzir o risco de investir no trigo. O cereal disputa área com culturas de maior liquidez, como soja e milho, e costuma apresentar maior vulnerabilidade a geadas, excesso de chuva e perdas de qualidade na colheita.

Para moinhos, indústrias de massas, panificação e biscoitos, o aumento da produção nacional pode melhorar o planejamento de compras. A oferta local, porém, precisa combinar volume, padrão industrial e regularidade. Sem esses requisitos, a importação continuará necessária mesmo em anos de boa colheita.

Dados e contexto

  • O USDA projetou as importações brasileiras em 6,7 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, após revisar a estimativa inicial de 6 milhões de toneladas.
  • Em junho de 2025, o Brasil importou 487 mil toneladas. A Argentina respondeu por 94% do volume, e o Paraguai, por 6%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
  • Entre janeiro e outubro de 2025, as importações chegaram a 6 milhões de toneladas, alta de 1,2% sobre o mesmo período de 2024 e o maior volume para esses dez meses desde 2013.
  • O USDA apontou que a Argentina respondeu por aproximadamente 80% das compras brasileiras de trigo em 2025.
  • A Conab estimou produção brasileira de 5,74 milhões de toneladas para a safra 2025/26 e importações de 7,06 milhões de toneladas, diante da queda de área e produtividade.
O cenário mostra um desequilíbrio estrutural. Mesmo com avanços tecnológicos e potencial de expansão no Cerrado, o trigo enfrenta limitações de clima, rentabilidade, armazenagem e logística. A política agrícola terá de tratar esses pontos de forma integrada.

O que observar daqui para frente

O próximo governo deverá definir se pretende ampliar a autossuficiência parcial do país ou manter a dependência das compras externas como principal mecanismo de abastecimento. Para o setor, os pontos críticos serão o orçamento do seguro rural, as condições de financiamento, a política de preços mínimos, o acesso a sementes adaptadas e as regras de importação. A resposta influenciará decisões de plantio, custos industriais e preços de derivados como farinha, pão e massas.

Fontes

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