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Indústria do trigo pede crédito e política nacional para ampliar oferta

Com a produção brasileira em queda e as importações em alta, a indústria do trigo cobra crédito, armazenagem e estímulos ao cultivo nacional.

23 de outubro de 2026 4 min de leitura
Indústria do trigo pede crédito e política nacional para ampliar oferta

A indústria brasileira do trigo prepara uma pauta de reivindicações para o próximo governo. O setor quer linhas de crédito para ampliar a armazenagem, uma política nacional para a cultura e medidas que estimulem a produção no país. A movimentação ocorre em meio à queda da oferta interna e à crescente dependência do mercado externo.

O que aconteceu

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) pretende levar ao governo pedidos de financiamento específico para moinhos. O objetivo é ampliar a capacidade de armazenagem e reduzir perdas entre a colheita, o transporte e o processamento do cereal.

Segundo a entidade, o setor já procurou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas ainda não conseguiu avançar na criação de uma linha de crédito voltada à indústria moageira. A falta de estrutura aumenta a exposição do mercado a gargalos logísticos e eleva a necessidade de capital de giro.

A Abitrigo também defende uma política nacional para o trigo, com estímulos à expansão da área cultivada. Entre as propostas está o apoio ao avanço da cultura no Cerrado, região com potencial para diversificar a produção e reduzir a concentração nas áreas tradicionais do Sul.

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Por que importa para o agro

A redução da produção brasileira aumenta a dependência de trigo importado, principalmente da Argentina. Esse movimento torna os custos da cadeia mais sensíveis ao câmbio, ao frete marítimo, ao seguro e às condições dos mercados fornecedores.

Para o produtor, uma política mais previsível pode melhorar a rentabilidade e estimular investimentos na cultura. Para moinhos e indústrias de alimentos, a ampliação da oferta nacional ajuda a reduzir riscos de abastecimento e custos logísticos. O impacto chega ao consumidor por meio dos preços de farinha, pães, massas e biscoitos.

Dados e contexto

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira de trigo em 2026 alcance 5,8 milhões de toneladas, queda de 26,2% ante as 7,87 milhões de toneladas colhidas em 2025. A área plantada deve recuar de 2,45 milhões para 1,95 milhão de hectares.

IndicadorEstimativa ou resultado
Produção brasileira em 20257,87 milhões de toneladas
Produção projetada para 20265,8 milhões de toneladas
Área cultivada em 20252,45 milhões de hectares
Área projetada para 20261,95 milhão de hectares
Importações previstas pela Conab7,1 milhões de toneladas
Projeção da AbitrigoAté 9 milhões de toneladas

A Conab projeta importações de 7,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, acima dos 5,9 milhões de toneladas do ciclo anterior. A Abitrigo trabalha com uma estimativa ainda maior, de até 9 milhões de toneladas, volume que seria o maior em cerca de 30 anos.

O setor também alerta para o impacto de mudanças tributárias e do aumento dos custos de insumos e embalagens. Esses fatores podem pressionar a moagem e reduzir a margem das indústrias, especialmente em um cenário de oferta doméstica limitada.

O que observar daqui para frente

A resposta do governo definirá o ritmo de investimento em armazenagem, produção e logística. Produtores devem acompanhar políticas de crédito, custos de importação e condições de comercialização; moinhos e indústrias precisarão ajustar estoques e contratos. O principal risco é a combinação de safra menor, câmbio desfavorável e dependência externa elevada.

Fontes

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