Indústria do trigo pede crédito e política nacional para ampliar oferta
Com a produção brasileira em queda e as importações em alta, a indústria do trigo cobra crédito, armazenagem e estímulos ao cultivo nacional.
A indústria brasileira do trigo prepara uma pauta de reivindicações para o próximo governo. O setor quer linhas de crédito para ampliar a armazenagem, uma política nacional para a cultura e medidas que estimulem a produção no país. A movimentação ocorre em meio à queda da oferta interna e à crescente dependência do mercado externo.
O que aconteceu
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) pretende levar ao governo pedidos de financiamento específico para moinhos. O objetivo é ampliar a capacidade de armazenagem e reduzir perdas entre a colheita, o transporte e o processamento do cereal.
Segundo a entidade, o setor já procurou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas ainda não conseguiu avançar na criação de uma linha de crédito voltada à indústria moageira. A falta de estrutura aumenta a exposição do mercado a gargalos logísticos e eleva a necessidade de capital de giro.
A Abitrigo também defende uma política nacional para o trigo, com estímulos à expansão da área cultivada. Entre as propostas está o apoio ao avanço da cultura no Cerrado, região com potencial para diversificar a produção e reduzir a concentração nas áreas tradicionais do Sul.
Por que importa para o agro
A redução da produção brasileira aumenta a dependência de trigo importado, principalmente da Argentina. Esse movimento torna os custos da cadeia mais sensíveis ao câmbio, ao frete marítimo, ao seguro e às condições dos mercados fornecedores.
Para o produtor, uma política mais previsível pode melhorar a rentabilidade e estimular investimentos na cultura. Para moinhos e indústrias de alimentos, a ampliação da oferta nacional ajuda a reduzir riscos de abastecimento e custos logísticos. O impacto chega ao consumidor por meio dos preços de farinha, pães, massas e biscoitos.
Dados e contexto
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira de trigo em 2026 alcance 5,8 milhões de toneladas, queda de 26,2% ante as 7,87 milhões de toneladas colhidas em 2025. A área plantada deve recuar de 2,45 milhões para 1,95 milhão de hectares.
| Indicador | Estimativa ou resultado |
|---|---|
| Produção brasileira em 2025 | 7,87 milhões de toneladas |
| Produção projetada para 2026 | 5,8 milhões de toneladas |
| Área cultivada em 2025 | 2,45 milhões de hectares |
| Área projetada para 2026 | 1,95 milhão de hectares |
| Importações previstas pela Conab | 7,1 milhões de toneladas |
| Projeção da Abitrigo | Até 9 milhões de toneladas |
A Conab projeta importações de 7,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, acima dos 5,9 milhões de toneladas do ciclo anterior. A Abitrigo trabalha com uma estimativa ainda maior, de até 9 milhões de toneladas, volume que seria o maior em cerca de 30 anos.
O setor também alerta para o impacto de mudanças tributárias e do aumento dos custos de insumos e embalagens. Esses fatores podem pressionar a moagem e reduzir a margem das indústrias, especialmente em um cenário de oferta doméstica limitada.
O que observar daqui para frente
A resposta do governo definirá o ritmo de investimento em armazenagem, produção e logística. Produtores devem acompanhar políticas de crédito, custos de importação e condições de comercialização; moinhos e indústrias precisarão ajustar estoques e contratos. O principal risco é a combinação de safra menor, câmbio desfavorável e dependência externa elevada.
Fontes
- AgFeed – Com maior importação em 30 anos, indústria do trigo tem pauta de pedidos para próximo governo
- AgFeed – As demandas da indústria do trigo
- Agrolink – Brasil deve importar 15,1% mais trigo em 2026
- noticias.uol.com.br
- noticiasagricolas.com.br
- sindustrigo.com.br
- agrolink.com.br
- globorural.globo.com
- ukragroconsult.com
- broadcast.com.br
- valorinternational.globo.com
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