Gestão

Irmãs assumem granja da família e investem em 200 mil aves

Duas irmãs deixam carreiras consolidadas para liderar granja com até 220 mil aves e modernizar a gestão da propriedade familiar.

23 de agosto de 2026 4 min de leitura
Irmãs assumem granja da família e investem em 200 mil aves

Duas irmãs decidiram deixar carreiras consolidadas fora do campo para assumir a gestão da propriedade da família, que reúne lavoura e uma granja com capacidade para alojar entre 200 mil e 220 mil aves por ciclo. A mudança marca uma nova fase para o negócio, com foco em profissionalização, tecnologia e planejamento, em um momento em que a sucessão familiar é decisiva para a continuidade da avicultura brasileira.

O que aconteceu

Kellen e Catiusa representam a terceira geração da família ligada ao campo. O trabalho começou em 1977, com foco em agricultura, e ao longo dos anos incorporou a avicultura, até chegar à estrutura atual, com vários galpões e integração com indústria de frango.

Antes de voltar para a granja, cada uma construiu carreira própria. Uma se formou em Educação Física e atuou cerca de dez anos na área. A outra seguiu para o serviço público. O convite do pai para assumir o negócio exigiu que ambas deixassem estabilidade e projetos pessoais para garantir a continuidade da propriedade.

Na transição, as irmãs dividiram funções de acordo com a experiência de cada uma. Uma ficou responsável pela parte administrativa, financeira e de planejamento, tocando decisões de investimento e relacionamento com empresas integradoras. A outra concentrou o manejo diário da granja, rotinas de alojamento, ambiência, alimentação e acompanhamento de lotes.

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Com a nova gestão, a família intensificou investimentos em tecnologia nos aviários, automatização de processos e melhoria de infraestrutura. A sucessão não se limitou a mudar o comando: trouxe revisão de rotinas, organização de dados e visão de negócio de longo prazo.

Por que importa para o agro

Casos como o da família mostram que a sucessão familiar estruturada é hoje um dos pontos críticos da avicultura. A saída de jovens para a cidade e a falta de preparo para assumir a gestão elevam o risco de perda de escala e de descontinuidade de granjas integradas, em um setor já pressionado por custos de ração e necessidade de eficiência.

Quando filhos ou netos voltam preparados e aplicam conceitos de gestão, planejamento financeiro e tecnologia, o impacto vai além da propriedade. A cadeia ganha produtores mais profissionais, com dados organizados, maior previsibilidade de entrega e melhor capacidade de investir em bem-estar animal, biossegurança e produtividade, pontos centrais em contratos com agroindústrias e em exigências de mercado externo.

Dados e contexto

A avicultura brasileira é uma das mais relevantes do mundo, sustentada por milhares de produtores integrados e forte presença de empresas como JBS, BRF, Aurora e cooperativas regionais.

Segundo a Conab, o Brasil vem se mantendo entre os maiores produtores e exportadores de carne de frango, com produção anual superior a 15 milhões de toneladas e forte participação de pequenos e médios integrados na oferta.

Levantamentos do IBGE mostram que a presença feminina na gestão das propriedades cresce de forma consistente, com mais mulheres assumindo papel de decisão em áreas como avicultura e suinocultura. Esse movimento ajuda a profissionalizar a administração, trazer novas formas de controle de custos e ampliar o uso de ferramentas digitais no campo.

Estudos da Embrapa apontam que sucessão bem planejada tende a elevar a taxa de investimento em tecnologia, reduzir conflitos familiares e melhorar indicadores produtivos. Em granjas de frango, isso se traduz em ganho de conversão alimentar, redução da mortalidade, melhor padronização de lotes e maior aproveitamento de contratos de integração.

Indicador da aviculturaSituação no Brasil
Produção de carne de frango> 15 milhões t/ano
Participação em exportações globaisEntre os líderes mundiais
Perfil dos produtoresPredomínio de integrados, com sucessão em curso

O que observar daqui pra frente

O caso das irmãs reforça um movimento que tende a se intensificar: jovens com formação fora do agro voltam para o campo e aplicam gestão profissional em negócios já consolidados. Para o produtor, oportunidade clara está em planejar a sucessão, abrir espaço para capacitação da nova geração e aproveitar programas de formação técnica oferecidos por empresas e instituições, reduzindo riscos de descontinuidade e ganhando força em negociações com a indústria.

Fontes

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