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J. Macêdo aposta em massas e produtos de maior valor agregado

J. Macêdo amplia investimentos e busca crescer em massas, misturas e outros produtos de maior valor agregado no mercado de trigo.

28 de outubro de 2026 3 min de leitura
J. Macêdo aposta em massas e produtos de maior valor agregado

A J. Macêdo, dona de marcas como Dona Benta, Sol, Petybon, Brandini e Boa Sorte, direciona investimentos para ampliar a participação de produtos de maior valor agregado. A estratégia inclui massas, misturas para alimentos e modernização industrial. O movimento ocorre em um mercado pressionado pelos custos do trigo e pela disputa por margem no varejo.

O que aconteceu

A companhia está concluindo um ciclo de investimentos de R$ 800 milhões, destinado à modernização de unidades existentes e à construção de duas novas plantas. Entre os projetos está um moinho em Londrina (PR), inaugurado em março, que representa cerca de 15% da capacidade de moagem da empresa.

A J. Macêdo também colocou em operação uma indústria de massas e misturas em Horizonte, na região metropolitana de Fortaleza (CE). A unidade foi construída próxima ao moinho localizado no porto da capital cearense, o que favorece a integração entre recebimento do trigo, moagem e fabricação de produtos industrializados.

A empresa não divulga o volume total processado, mas estimativas de mercado apontam moagem próxima de 1 milhão de toneladas de trigo por ano. O objetivo é elevar a eficiência operacional e aumentar a presença em categorias que entregam mais receita por tonelada.

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Por que importa para o agro

A estratégia amplia a participação da indústria na cadeia do trigo. Para produtores e cooperativas, uma indústria mais estruturada pode representar demanda mais previsível, embora a compra continue condicionada à qualidade do grão, à localização e à relação entre preços nacionais e importados.

Para o mercado, o avanço em massas e misturas reduz a dependência da venda de farinha e farelo, categorias mais expostas à competição por preço. A indústria busca capturar margem por meio de marcas, conveniência e produtos destinados ao consumo final.

Esse movimento também aumenta a importância da logística. Moinhos próximos a portos e centros consumidores podem reduzir custos de transporte e melhorar o abastecimento regional. No caso do Nordeste, a unidade de Fortaleza reforça a capacidade de atendimento de um mercado dependente de trigo adquirido fora da região.

Dados e contexto

A J. Macêdo encerrou 2025 com receita bruta de R$ 3,76 bilhões, alta de 4,8% sobre o ano anterior, e lucro líquido de R$ 347,7 milhões. O volume comercializado chegou a 869,2 mil toneladas, avanço de 2,1%.

CategoriaReceita bruta em 2025Variação
Farinhas e farelosR$ 1,72 bilhão+4,5%
MassasR$ 1,08 bilhão-0,6%
BiscoitosR$ 436,4 milhões+5,9%
MisturasR$ 351,5 milhões+23,7%

As misturas foram o principal destaque, com crescimento de 15% em volume e alta de 23,7% na receita. Massas continuam relevantes, respondendo por aproximadamente 28% da receita bruta, mas precisam recuperar volume e margem para sustentar uma expansão mais forte.

O que observar daqui para frente

O principal ponto será a capacidade de transformar os novos ativos em crescimento de volume e rentabilidade. A empresa projeta avanço moderado, de até 2% na receita em 2026, enquanto enfrenta oscilações no preço do trigo, câmbio e consumo das famílias. A evolução das misturas e das massas, além do desempenho das novas plantas, indicará se a estratégia de maior valor agregado funcionará.

Fontes

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