Justiça anula licenciamento de mina de fosfato em Lavras do Sul
TRF4 anulou o licenciamento do projeto Fosfato Três Estradas por falta de consulta prévia a uma comunidade tradicional.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anulou o licenciamento ambiental do projeto Fosfato Três Estradas, em Lavras do Sul, no Rio Grande do Sul. A decisão apontou a falta de consulta prévia a uma comunidade tradicional durante o processo. O caso interrompe o avanço de um empreendimento previsto para ampliar a oferta regional de matéria-prima para fertilizantes.
O que aconteceu
O projeto é da Águia Fertilizantes e prevê a extração e o beneficiamento de fosfato na região da Campanha Gaúcha. O licenciamento havia sido concedido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), mas foi contestado pelo Ministério Público Federal (MPF) e por grupos ligados às comunidades locais.
O TRF4 considerou que os pecuaristas familiares tradicionais das Três Estradas deveriam ter sido submetidos a uma consulta livre, prévia e informada. Para o tribunal, a ausência dessa etapa comprometeu todo o processo de licenciamento, e não apenas uma fase específica.
A decisão ocorre após uma sentença de primeira instância, de outubro de 2024, que havia considerado válidos os atos praticados pela Fepam. Em 2025, a empresa retomou o projeto depois de obter decisão favorável na Justiça Federal de Bagé. Com o julgamento do TRF4, a companhia informou que pretende recorrer.
Por que importa para o agro
O fosfato é um dos principais nutrientes usados na formação de fertilizantes. O Brasil depende de compras externas para atender parte relevante da demanda agrícola. Qualquer projeto nacional capaz de produzir rocha fosfática ou derivados pode reduzir a exposição dos produtores às oscilações de preços, fretes e riscos geopolíticos.
A suspensão, porém, não altera imediatamente o abastecimento brasileiro. O projeto ainda estava em fase de licenciamento e não havia produção comercial. O efeito direto é sobre o cronograma de investimento, a expectativa de oferta futura e a estratégia da empresa para fornecer fertilizantes no mercado regional.
Dados e contexto
- A Águia Fertilizantes previa investimento superior a R$ 230 milhões no empreendimento, segundo informações publicadas pela imprensa regional.
- Estudo da Embrapa indica que o Brasil importou cerca de 9 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados em 2023.
- Rússia e Marrocos responderam juntos por aproximadamente metade das importações brasileiras de fosfatados em 2023, conforme dados citados pela Embrapa.
- Dados históricos da Agência Nacional de Mineração mostram a relevância das importações brasileiras de fosfatos e de compostos químicos usados na fabricação de fertilizantes.
O que observar daqui pra frente
A empresa deve avaliar a apresentação de recursos e a possibilidade de reiniciar o licenciamento com consulta formal às comunidades tradicionais. Para o agro, o principal ponto é saber se o projeto manterá o cronograma de implantação e se poderá contribuir para a oferta regional de fertilizantes. Até lá, produtores continuarão sujeitos às condições do mercado internacional e à disponibilidade de produtos importados.
Fontes
- Canal Rural — Justiça anula licença de mina de fosfato em Lavras do Sul, RS
- Embrapa — Impacto econômico da solubilização biológica de fosfatos no Brasil
- Agência Nacional de Mineração — Sumário Mineral Brasileiro: Fosfato
- Sul21 — Justiça anula licenciamento ambiental de mina de fosfato em Lavras do Sul
- canalrural.com.br
- spacemoney.com.br
- canalrural.com.br
- boca.com.br
- gauchazh.clicrbs.com.br
- jornaldocomercio.com
- jornalminuano.com.br
- jornaldocomercio.com
- noticiasdemineracao.com
- jornaldocomercio.com
- sul21.com.br
- paparicobacchi.com.br
Continue lendo

Chuvas ligadas ao El Niño fazem o deserto do Atacama florescer
Chuvas excepcionais no norte do Chile ativaram sementes dormentes e cobriram áreas do Atacama com flores após um período de seca extrema.

Suspensão de compra de carnes pela UE reforça urgência por soluções naturais na produção animal
Para a BIOCHEM, a decisão europeia reforça a necessidade de acelerar rastreabilidade, sustentabilidade e o uso de soluções naturais nas cadeias brasileiras de proteína animal.

Campanha defende fibras naturais para reduzir microplásticos
Movimento lançado no Congresso Brasileiro do Algodão busca ampliar o uso de fibras naturais e discutir os impactos dos tecidos sintéticos.