Lucro da MBRF sobe 26% com avanço das exportações de carne
MBRF aumenta em 26% o lucro no trimestre, impulsionada por exportações de frango e suínos na América do Sul, e indica apetite por mais mercados mesmo com risco de bloqueios.
A MBRF encerrou o trimestre com alta de 26% no lucro, puxada pela expansão das exportações de carne de frango e suínos nos mercados internacionais. A operação que reúne Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai também viu a receita crescer mais de 23%, mostrando que a estratégia de focar em proteínas de maior valor agregado e em mercados externos segue firme, apesar de riscos de bloqueios comerciais e disputas sanitárias.
O que aconteceu
A companhia registrou receita líquida de R$ 6,15 bilhões, avanço de 23,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado cresceu acima da receita, indicando ganho de eficiência operacional e melhor captura de preços no mercado externo, em um cenário de demanda aquecida por proteínas na Ásia e no Oriente Médio.
O desempenho foi sustentado por maiores volumes embarcados e por um mix de produtos com mais cortes de frango e suínos de maior valor, além de contratos em moedas fortes. A empresa reduziu o peso relativo do mercado doméstico e reforçou a presença em destinos com margens melhores, compensando parte da volatilidade de preços internos dos grãos que compõem a ração.
Mesmo com o cenário global de maior atenção a barreiras sanitárias e riscos de bloqueios pontuais, a gestão sinalizou confiança na capacidade de redirecionar cargas entre mercados. A diversificação geográfica da operação na América do Sul também ajudou a diluir riscos regulatórios e logísticos.
Por que importa para o agro
O resultado da MBRF mostra que a proteína animal segue como um dos motores do agronegócio brasileiro, apoiando a demanda por milho e soja para ração. Com margens melhores, os frigoríficos têm mais fôlego para manter ritmo de abate, firmar contratos com integrados e cooperativas e sustentar investimentos em tecnologia, bem-estar animal e rastreabilidade.
Para produtores de grãos, o apetite da indústria por volume e contratos de longo prazo é positivo em um cenário de preços internacionais mais ajustados. Já para produtores integrados de frango e suínos, a saúde financeira dos grandes grupos reduz o risco de cortes em programas de integração e aumenta a chance de remunerações mais estáveis, ainda que sob pressão de custos e exigências sanitárias cada vez maiores.
Dados e contexto
A operação da MBRF na América do Sul reúne plantas e estruturas comerciais em Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, com foco em exportação de frango e suínos.
Dados-chave do trimestre:
- Receita líquida: R$ 6,15 bilhões (+23,1% ano contra ano)
- Lucro líquido: +26% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior
- Ebitda ajustado: crescimento de dois dígitos, com margem em alta
- Motor do resultado: exportações de carnes, especialmente frango
A estratégia da companhia também conversa com a tendência de diferenciação em proteína: carnes certificadas, rastreáveis, com foco em bem-estar animal e menor pegada ambiental. Esse tipo de produto costuma capturar prêmios melhores nos mercados desenvolvidos, reduzindo a dependência de vender só volume a preços baixos.
Em paralelo, o setor monitora riscos de influenza aviária, peste suína africana e barreiras não tarifárias, que podem gerar bloqueios temporários de plantas ou países. Empresas com base produtiva diversificada e portfólio amplo tendem a ter mais agilidade para remanejar vendas entre destinos.
| Indicador | Situação da MBRF no trimestre |
|---|
| Receita líquida | R$ 6,15 bi (+23,1%) | | Lucro líquido | +26% | | Foco | Exportação de frango e suínos | | Região de operação | Brasil, Uruguai, Arg., Paraguai |
O que observar daqui pra frente
Nos próximos trimestres, o mercado vai acompanhar a capacidade da MBRF de manter margens em um ambiente de custos de ração ainda voláteis, além da gestão de riscos sanitários e regulatórios nos principais destinos. Para o agro, o ponto-chave é se a empresa seguirá aumentando abates e contratos com integrados, o que sustentaria demanda firme por milho e soja e manteria renda em regiões altamente dependentes da cadeia de frango e suínos.
Fontes
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