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Lucro da Pilgrim’s Pride recua 65,7% no terceiro trimestre de 2026

Resultado da Pilgrim’s Pride caiu 65,7% no terceiro trimestre, pressionado por preços menores do frango e excesso de oferta.

29 de outubro de 2026 4 min de leitura
Lucro da Pilgrim’s Pride recua 65,7% no terceiro trimestre de 2026

A Pilgrim’s Pride registrou queda de 65,7% no lucro líquido no terceiro trimestre de 2026. O resultado foi afetado principalmente pela redução dos preços do frango e pela oferta acima da demanda em parte dos mercados onde a companhia atua. O desempenho sinaliza pressão sobre as margens da indústria avícola e pode influenciar decisões de produção e compra de aves.

O que aconteceu

A companhia encerrou o trimestre com lucro menor em comparação com o mesmo período do ano anterior. A deterioração ocorreu em um ambiente de preços mais baixos para a carne de frango, que reduziu a receita obtida por unidade comercializada e pressionou a rentabilidade das operações.

A Pilgrim’s Pride também enfrentou dificuldades no segmento de carne suína no Reino Unido. Segundo a empresa, as margens permaneceram pressionadas pelo excesso de importações provenientes de outros países europeus, aumentando a concorrência no mercado local.

O resultado acompanha a piora observada no trimestre anterior. No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido havia recuado 96,2%, para US$ 13,377 milhões, ante US$ 355,5 milhões um ano antes. No período, a empresa atribuiu a queda à redução dos preços do frango.

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Por que importa para o agro

O desempenho da Pilgrim’s Pride mostra como o equilíbrio entre oferta e demanda continua decisivo para as margens da cadeia de aves. Quando a produção cresce acima do consumo, os preços da carne recuam e a indústria tem menos espaço para repassar custos de ração, energia, mão de obra e logística.

Para produtores integrados, a pressão pode aparecer em negociações mais rígidas, ajustes nos alojamentos e revisão de programas de produção. Empresas com maior exposição ao mercado externo também ficam sujeitas ao câmbio, às barreiras sanitárias e à concorrência de grandes exportadores.

No Brasil, o efeito não é automático, mas resultados de companhias globais ajudam a indicar o ambiente internacional para a proteína animal. Uma oferta elevada nos Estados Unidos e na Europa pode aumentar a competição entre fornecedores e influenciar os preços praticados no comércio mundial.

Dados e contexto

  • Queda do lucro no terceiro trimestre de 2026: 65,7%.
  • Queda do lucro no segundo trimestre de 2026: 96,2%.
  • Lucro líquido no segundo trimestre de 2026: US$ 13,377 milhões.
  • Lucro líquido no segundo trimestre de 2025: US$ 355,5 milhões.
  • Principal pressão identificada: preços menores do frango.
  • Mercado adicional afetado: carne suína no Reino Unido, com excesso de importações europeias.
A Conab projeta avanço da produção brasileira de carnes em 2026, com a avicultura entre os principais vetores de crescimento. Esse cenário reforça a necessidade de acompanhar o consumo doméstico, o ritmo das exportações e os custos de alimentação animal antes de ampliar a produção.

A formação das margens depende também dos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração. Quedas nesses insumos podem aliviar a indústria, mas não compensam totalmente um recuo forte nos preços recebidos pela carne.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a evolução da oferta de frango nos Estados Unidos, o consumo nos principais destinos e a capacidade da indústria de reduzir estoques. Para produtores brasileiros, os indicadores mais relevantes são os preços do milho e do farelo de soja, as exportações, o alojamento de pintos e as cotações no mercado interno. Margens estreitas exigem planejamento de lotação, controle de conversão alimentar e avaliação cuidadosa dos contratos de integração.

Fontes

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