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Macadâmia do Espírito Santo ganha valor com doces, biscoitos e gelato

Produtores capixabas transformam macadâmia em alimentos de maior valor agregado e ampliam a presença da cultura no mercado internacional.

01 de novembro de 2026 4 min de leitura
Macadâmia do Espírito Santo ganha valor com doces, biscoitos e gelato

A produção de macadâmia no Espírito Santo começa a avançar além da venda da noz in natura. Produtores transformam a matéria-prima em doces, biscoitos, gelato e outros alimentos, ampliando o valor agregado da cultura e abrindo espaço em mercados internacionais.

O que aconteceu

A estratégia combina cultivo, processamento e comercialização. Em vez de vender toda a produção para beneficiadoras, empreendimentos capixabas desenvolvem produtos próprios e aproveitam a macadâmia em receitas voltadas ao consumidor final.

A diversificação inclui doce de macadâmia com pimenta-da-jamaica, biscoitos, gelato e misturas de especiarias. Os produtos chegam a diferentes canais de venda e também são direcionados ao mercado externo, aumentando a visibilidade da produção do Espírito Santo.

A região de São Mateus é um dos principais polos da cultura no estado. O cultivo também ocorre em municípios como Jaguaré, Linhares e Castelo, com participação de produtores e agroindústrias na estruturação da cadeia.

Por que importa para o agro

A industrialização reduz a dependência da venda da noz como commodity. Produtos prontos para consumo podem alcançar preços maiores, criar marcas próprias e distribuir a receita entre produtores, processadores, transportadores e varejistas.

Para o agricultor, a agregação de valor pode melhorar a remuneração por quilo e estimular contratos de fornecimento. Para a economia regional, a atividade gera demanda por beneficiamento, embalagem, controle de qualidade e logística especializada.

A experiência também mostra uma oportunidade para pequenas e médias propriedades. A macadâmia é uma cultura perene, com produção de alto valor, mas exige planejamento de longo prazo, manejo técnico e estrutura adequada para secagem e armazenamento.

Dados e contexto

A Embrapa informa que o Brasil mantém cultivos comerciais de macadâmia em nove estados. São Paulo concentra cerca de metade da produção nacional, enquanto o Espírito Santo aparece entre os principais polos, especialmente na região norte do estado.[1]

  • O país possui aproximadamente 5 mil a 6 mil hectares cultivados, conforme diferentes levantamentos técnicos.[1][4]
  • O Brasil responde por menos de 3% da produção mundial e está entre os dez maiores produtores.[1][3]
  • A produção nacional já alcançou cerca de 8,5 mil toneladas em 2019, mas recuou nos anos seguintes.[1]
  • A noz beneficiada pode atingir aproximadamente R$ 180 por quilo no mercado interno.[1]
  • A produção brasileira é absorvida principalmente pelo mercado doméstico, em panificação, chocolates, sorvetes e produtos drageados.[3][4]
A Embrapa também desenvolve pesquisas sobre pragas e doenças da cultura. O sistema InsetoNutWeb reúne informações sobre insetos e ácaros encontrados em plantações de macadâmia, apoiando decisões de manejo e monitoramento fitossanitário.[1]

O cenário internacional é favorável, mas o Brasil ainda tem participação pequena. A expansão depende de produtividade, regularidade de oferta, qualidade da amêndoa e capacidade de processamento.

O que observar daqui para frente

O avanço da macadâmia capixaba dependerá da escala dos pomares, da padronização dos produtos e da abertura de novos canais de exportação. Produtores devem acompanhar custos de implantação, manejo de pragas, disponibilidade de mudas, exigências sanitárias e contratos de compra. Agroindústrias que investirem em marca, rastreabilidade e embalagens adequadas terão melhores condições de capturar valor.

Fontes

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