Macaúba ganha espaço como matéria-prima para combustível de aviação
A macaúba virou aposta bilionária para produzir SAF e diesel renovável no Brasil, com foco em terras degradadas e cadeia agrícola integrada.

A macaúba deixou de ser uma planta pouco explorada e virou peça de um projeto bilionário para produzir combustível sustentável de aviação, o SAF, e diesel renovável no Brasil. A lógica é usar uma cultura nativa, com potencial de alta produtividade de óleo, em áreas degradadas e com cadeia produtiva integrada.
O que aconteceu
A Acelen Renováveis, ligada ao Mubadala Capital, avançou com um plano para estruturar uma cadeia de macaúba voltada a biocombustíveis. A proposta combina plantio, pesquisa, processamento industrial e produção de combustíveis renováveis em escala comercial.
Segundo reportagens recentes da AgFeed, a empresa trabalha com investimento de US$ 3 bilhões para consolidar o projeto, com meta de até 144 mil hectares de macaúba e produção de 1 bilhão de litros por ano de SAF e diesel renovável no horizonte anunciado.
A estratégia inclui a compra de áreas, expansão do cultivo e desenvolvimento tecnológico. A ideia é transformar um fruto nativo em matéria-prima industrial de valor alto, com mercado ligado à aviação e à transição energética.
Por que importa para o agro
Para o produtor, o movimento abre uma nova frente de renda para áreas hoje subutilizadas. A macaúba pode entrar como cultura perene em regiões com pastagens degradadas, o que ajuda a recuperar solo e gerar receita em um mercado ainda pouco disputado.
Para a cadeia do agro, o projeto cria demanda por mudas, serviços agronômicos, logística, esmagamento e contratos de fornecimento de longo prazo. Se a operação ganhar escala, pode puxar investimentos em viveiros, tecnologia agrícola e infraestrutura de processamento.
Dados e contexto
A macaúba é uma palmeira nativa do Brasil. A Embrapa informa que a espécie, também chamada de coco-baboso ou macajuba, ocorre em quase todas as regiões do país e tem potencial para uso agroenergético.[14]
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Investimento anunciado | **US$ 3 bilhões** |
| Meta de área | **144 mil hectares** |
| Produção projetada | **1 bilhão de litros/ano** |
| Destino principal | **SAF e diesel renovável** |
O interesse na cultura ganhou força com a agenda de descarbonização da aviação e dos transportes. A macaúba chama atenção por produzir óleo com potencial industrial e por poder ser cultivada em áreas com baixa aptidão agrícola, reduzindo competição com alimentos.
O que observar daqui pra frente
O ponto central agora é execução. O sucesso depende de ganho de produtividade no campo, padronização de mudas, escala de processamento e custo final do óleo. Sem isso, a conta do biocombustível pode ficar pressionada.
Também vale acompanhar a velocidade de expansão das áreas, a validação técnica dos materiais genéticos e a formação de contratos com produtores. Se o projeto entregar produtividade e previsibilidade, a macaúba pode sair do discurso e entrar de vez na pauta do agro industrial.
Fontes
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