Tecnologia

MAPA discute regras para novas tecnologias agrícolas com a Corteva

Ministério da Agricultura abriu diálogo com a Corteva sobre regulação de novas tecnologias, incluindo biológicos e edição gênica, com impacto direto para o produtor.

22 de maio de 2026 4 min de leitura
MAPA discute regras para novas tecnologias agrícolas com a Corteva

O Ministério da Agricultura (MAPA) se reuniu com representantes da Corteva Agriscience para discutir marcos regulatórios de novas tecnologias agrícolas, como produtos biológicos e ferramentas avançadas de melhoramento genético. O diálogo busca ajustar normas, dar previsibilidade para empresas e pesquisadores e acelerar o acesso de produtores brasileiros a inovações que aumentem produtividade e sustentabilidade.

O que aconteceu

Em agenda em Brasília, dirigentes do MAPA receberam executivos da Corteva para alinhar percepções sobre a regulação de tecnologias emergentes. A conversa girou em torno de biológicos, novas moléculas, melhoramento de sementes e instrumentos de agricultura de precisão. A empresa apresentou demandas do setor privado por processos mais claros, prazos definidos e harmonização com regras internacionais.

O MAPA sinalizou que trabalha para modernizar fluxos de avaliação e registro, sem abrir mão da segurança alimentar, ambiental e da saúde humana. A pasta também destacou a necessidade de integrar órgãos como Anvisa e Ibama na construção de regras para reduzir conflitos e retrabalho.

A Corteva reforçou que o Brasil é prioridade global em pesquisa e lançamento de tecnologias, mas que a previsibilidade regulatória é decisiva na hora de definir onde investir. A empresa defendeu um ambiente que valorize ciência, dados robustos e decisões técnicas, reduzindo incertezas jurídicas.

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Por que importa para o agro

Regulação mais clara e ágil pode encurtar o tempo entre o desenvolvimento de uma tecnologia e a chegada dela à fazenda. Isso significa acesso mais rápido a defensivos biológicos, sementes mais produtivas e soluções digitais para manejo, com potencial de reduzir custos e elevar a margem do produtor.

Por outro lado, incertezas em regras para biológicos, novas biotecnologias e ferramentas de edição gênica podem atrasar lançamentos e limitar a competitividade do agro brasileiro frente a concorrentes como EUA e Argentina. Para o produtor, isso se traduz em menor opção de produtos, manejo mais caro e, muitas vezes, maior pressão de pragas e doenças.

Dados e contexto

A Embrapa aponta que ganhos tecnológicos responderam por cerca de 60% do aumento da produtividade agrícola nas últimas décadas no Brasil. Nesse pacote entram melhoramento genético, defensivos mais eficientes, manejo integrado de pragas e digitalização do campo.

Segundo o MAPA, o Brasil é um dos maiores mercados globais de insumos agrícolas, com faturamento bilionário em defensivos, fertilizantes e sementes. A Conab projeta supersafras recorrentes, sustentadas em grande parte por adoção de tecnologia em soja, milho, algodão e outras culturas.

Com os biológicos, o movimento é de forte expansão. Estimativas de consultorias apontam crescimento anual de dois dígitos no mercado de produtos biológicos no país, puxado por pressão regulatória sobre moléculas antigas, exigências de mercado externo e busca por sistemas de produção mais sustentáveis.

No campo da biotecnologia e da edição gênica, o Brasil já possui normas específicas via CTNBio, mas empresas e pesquisadores cobram maior alinhamento entre diferentes órgãos reguladores e redução de sobreposições de exigências. A Corteva, assim como outras multinacionais e empresas nacionais, busca processos que reduzam o tempo de análise sem comprometer a avaliação de risco.

IndicadorSituação aproximada no Brasil
Participação da tecnologia no ganho de produtividade (Embrapa)~60%
Dinâmica do mercado de biológicosCrescimento anual de dois dígitos
Posição do Brasil em agro mundialEntre os maiores produtores e exportadores de soja, milho, carne e café

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e consultores devem acompanhar eventuais mudanças em normas do MAPA, Anvisa e Ibama para registro de biológicos, novas moléculas e sementes avançadas. Regras mais previsíveis tendem a acelerar a chegada de soluções de manejo mais eficientes, porém exigirão atenção a rótulos, recomendações técnicas e exigências de rastreabilidade. Quem se atualizar rápido pode capturar ganhos de produtividade e acesso a mercados mais exigentes em sustentabilidade.

Fontes

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