Gestão

Menos jovens no campo acende alerta para sucessão no agro paulista

Queda da presença de jovens na agricultura do interior de SP preocupa produtores e expõe risco de falta de sucessores nas propriedades familiares.

28 de junho de 2026 4 min de leitura
Menos jovens no campo acende alerta para sucessão no agro paulista

A presença de jovens na agricultura do interior de São Paulo vem caindo de forma consistente, e produtores já enfrentam dificuldade para manter a atividade nas famílias. A redução da mão de obra jovem ameaça a sucessão das propriedades, especialmente na agricultura familiar, e levanta dúvidas sobre quem vai tocar o negócio no médio prazo.

O que aconteceu

Produtores de diversas regiões do interior relatam que filhos e netos estão deixando o campo em busca de estudo e emprego nas cidades, muitas vezes sem intenção de voltar. A rotina pesada, a incerteza de renda e a falta de serviços no meio rural pesam na decisão dos jovens.

A situação não é pontual. Reportagens recentes mostram propriedades em que o produtor envelhece sem sucessor definido, com áreas sendo arrendadas ou vendidas quando não há interesse da nova geração em assumir a gestão. Em vários casos, o jovem até ajuda nas safras, mas vê sua carreira futura fora da propriedade.

Esse movimento ganha força justamente em polos importantes do agro paulista, como regiões de agricultura familiar diversificada, hortaliças e pecuária de leite, onde a continuidade da atividade depende de mão de obra qualificada da própria família.

Por que importa para o agro

Menos jovens no campo significa menos mão de obra qualificada e maior dificuldade para adotar tecnologia, fazer gestão profissional e inovar nos sistemas produtivos. A sucessão mal planejada aumenta o risco de descontinuidade do negócio, impacta a oferta de alimentos e pode acelerar a concentração de terras.

Para cooperativas, indústrias e redes de varejo, a saída da juventude rural tende a reduzir o número de pequenos e médios fornecedores em regiões tradicionais. Isso pode afetar contratos, logística e a própria diversidade produtiva, abrindo espaço para importações ou deslocamento de polos de produção.

Dados e contexto

Levantamentos nacionais ajudam a dimensionar o problema. Em 2012, o Brasil tinha cerca de 4,7 milhões de jovens de 16 a 32 anos trabalhando na lida da roça; em uma década, o campo perdeu mais de 1 milhão desses trabalhadores.[1]

Pelos dados do Censo Demográfico 2010, a juventude rural brasileira somava aproximadamente 8,5 milhões de pessoas, evidenciando um contingente significativo, mas em queda em relação a décadas anteriores.[5]

Estudos sobre juventude rural indicam que uma parcela relevante dos jovens não deseja permanecer na agricultura. Em pesquisa citada por especialistas, cerca de 20% dos entrevistados afirmam não gostar da atividade e 43% buscam a escola para conseguir emprego fora do campo.[7]

Pesquisas conduzidas em áreas periurbanas do interior paulista mostram que mesmo onde há acesso a mercados e infraestrutura, a permanência dos jovens depende de condições claras de renda, participação na gestão e acesso a tecnologia.[3][6]

A literatura sobre juventudes rurais aponta fatores recorrentes para o êxodo: falta de serviços de saúde e educação de qualidade, dificuldade de acesso a crédito para o jovem produtor, baixa valorização social da profissão e conflitos geracionais na gestão das propriedades.[2][8]

O que observar daqui pra frente

O produtor que quer garantir a sucessão precisa envolver cedo os jovens na gestão, abrir espaço para decisões, investir em capacitação técnica e em modelos de negócio mais atrativos, conectados à tecnologia e a mercados diferenciados. Para o setor como um todo, políticas públicas, cooperativas e empresas precisarão olhar para a juventude rural como prioridade estratégica, sob risco de ver cadeias produtivas fragilizadas pela falta de gente disposta a permanecer no campo.

Fontes

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