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Mercadante defende crédito do BNDES ao agro e nega impacto nos juros

Presidente do BNDES afirma que linhas subsidiadas ao agro não pressionam juros, reforça papel do banco no crédito rural e rebate críticas de desequilíbrio fiscal.

18 de maio de 2026 4 min de leitura
Mercadante defende crédito do BNDES ao agro e nega impacto nos juros

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a atuação do banco no crédito rural não pressiona os juros da economia nem compromete o equilíbrio fiscal. Ele defendeu o apoio ao agronegócio por meio de linhas subsidiadas e reforçou que o BNDES é peça-chave para financiar investimento de longo prazo no campo.

O que aconteceu

Mercadante participou de evento público em que respondeu críticas de que o aumento do crédito subsidiado poderia elevar a taxa básica de juros ou desorganizar as contas públicas. Segundo ele, o volume de recursos direcionados pelo BNDES ao agronegócio é administrado dentro do orçamento e das regras fiscais em vigor.

O presidente do banco destacou que o BNDES atua principalmente em financiamento de investimento, como máquinas, armazenagem e infraestrutura logística, e não em custeio de safra de curto prazo. Para Mercadante, essas linhas ajudam a aumentar produtividade e competitividade sem gerar desequilíbrio macroeconômico.

Ele também reforçou que o banco tem buscado ampliar o acesso de médios produtores e cooperativas ao crédito, além de apoiar projetos de inovação e sustentabilidade no campo. Mercadante argumenta que, ao estimular investimento produtivo, o crédito subsidiado retorna em forma de aumento de arrecadação e crescimento do PIB agro.

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Por que importa para o agro

A fala de Mercadante sinaliza que o BNDES seguirá relevante no crédito rural, especialmente para investimento em máquinas, silos e projetos de agregação de valor. Para o produtor, isso significa perspectiva de continuidade das linhas com juros abaixo de mercado e prazos mais longos, complementando o crédito bancário tradicional e os recursos obrigatórios do sistema financeiro.

A defesa pública do apoio ao agronegócio também reduz o risco de cortes abruptos em programas financiados com recursos direcionados ou fundos como o Fundo Clima, que vêm sendo usados em projetos de irrigação eficiente, energia renovável nas fazendas e recuperação de pastagens. A previsibilidade dessas linhas é crucial para planejamento de investimento em tecnologia e expansão de área.

Dados e contexto

O BNDES é um dos principais financiadores de investimento no agro, ao lado do crédito rural controlado via Plano Safra, coordenado pelo Ministério da Agricultura (MAPA) e pelo Ministério da Fazenda.

Alguns pontos de contexto:

  • A carteira de financiamento do BNDES ao agronegócio inclui linhas como BNDES Finame (máquinas e equipamentos), BNDES Agro e operações com recursos de fundos setoriais.
  • Segundo a Conab, o agronegócio responde por mais de 25% do PIB brasileiro quando considerada toda a cadeia (insumos, produção, agroindústria e serviços).
  • Levantamentos recentes do MAPA e do Banco Central mostram que mais de 50% do crédito rural ainda é subsidiado ou com taxas controladas, combinando recursos obrigatórios, poupança rural, fundos constitucionais e bancos públicos.
  • O Plano Safra atual passou da casa de R$ 400 bilhões em recursos anunciados, somando agricultura empresarial e familiar, com participação relevante de bancos públicos como Banco do Brasil, BNDES e bancos regionais.
Esses números ajudam a explicar por que o debate sobre juros, subsídios e papel dos bancos públicos impacta diretamente a capacidade de investimento do produtor. Sem crédito de longo prazo e taxa previsível, a adoção de tecnologias recomendadas por Embrapa e outras instituições tende a ser mais lenta, reduzindo ganhos de produtividade por hectare.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar como o discurso de Mercadante se traduzirá em limites de crédito, taxas e exigências de garantias nas próximas safras, além da integração com o Plano Safra. Vale monitorar o volume de recursos do BNDES destinado a máquinas, armazenagem, energias renováveis e projetos de sustentabilidade, bem como eventuais mudanças na política de subsídios em função das discussões sobre meta fiscal e trajetória da Selic.

Fontes

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