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Mercado de fertilizantes reage, mas produtor ainda corre contra o tempo

Comercialização de fertilizantes no Brasil acelera após meses travados, mas janela da safrinha e incertezas de preço e câmbio ainda preocupam o produtor.

21 de julho de 2026 4 min de leitura
Mercado de fertilizantes reage, mas produtor ainda corre contra o tempo

Depois de meses travado, o mercado brasileiro de fertilizantes ganhou uma “brisa de otimismo” nas últimas semanas, com o maior volume de vendas dos últimos 12 meses, puxado pela melhora nas cotações da soja. O movimento alivia a pressão sobre o planejamento da próxima safra, mas a compra segue atrasada em relação a anos anteriores e deixa o produtor em corrida contra o relógio.

O que aconteceu

Segundo executivos do setor ouvidos pela AgFeed, as indústrias venderam cerca de 2 milhões de toneladas de fertilizantes em apenas duas semanas, patamar considerado o mais forte do último ano.[4] Esse avanço veio após uma longa fase de cautela, marcada por preços pouco atrativos para os grãos, custo elevado dos insumos e incertezas com clima e câmbio, o que atrasou as decisões de compra.

A recente correção positiva nos preços da soja, tanto no mercado interno quanto externo, melhorou a relação de troca e destravou parte da demanda.[4] Mesmo assim, consultorias apontam que o ritmo segue abaixo do observado em safras de maior confiança, e muitas compras ainda não foram fechadas para a safrinha de milho.

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Por que importa para o agro

A reagida nas vendas ajuda a recompor estoques nas fazendas e reduz o risco de falta pontual de produto na reta final da janela de plantio. Para o produtor, isso significa alguma previsibilidade na adubação de soja e milho, o que é decisivo para manter produtividade em um cenário de margens mais apertadas.

Por outro lado, o atraso nas negociações concentra pedidos em menos tempo, pressiona a logística e pode gerar gargalos em portos, misturadoras e transporte interno. Em ano de custos elevados de frete e câmbio volátil, qualquer congestionamento encarece ainda mais o insumo e reduz a capacidade de negociação do produtor.

Dados e contexto

O Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes e depende fortemente de importações, o que expõe o setor a câmbio e geopolitica.[9]

Nos últimos meses:

  • A Logcomex aponta que, no 1º trimestre de 2026, o mercado operou sob “estresse de custo e retração de volume”, com aumento de 7,7% no gasto FOB com ureia e queda de 11% no volume internalizado.[7]
  • Relatório internacional indica que o mercado global vive uma das crises mais intensas desde 2022, impactado por tensões geopolíticas, fretes caros e restrições de exportação.[9]
  • No Brasil, dados da ANDA mostram entregas acima de 12,3 milhões de toneladas de janeiro a abril de 2026, sinalizando demanda ainda robusta apesar das dificuldades.[6]
Rabobank e outras instituições projetam demanda brasileira próxima a 47–47,5 milhões de toneladas em 2026, com crescimento modesto sobre 2025, sustentado por soja e milho.[3][5] Mesmo com recuos pontuais em alguns cenários, o patamar de consumo segue elevado para manter a produção de grãos.
Indicador 2026 (Brasil)Nível aproximado
Entregas jan–abr (ANDA)**12,3 milhões t**[6]
Demanda anual estimada**47–47,5 milhões t**[3][5]
Variação esperada vs. 2025cerca de **+1% a +2%**[5]

Esse contexto explica por que qualquer atraso de compra em momentos de maior demanda, como a virada para soja e milho safrinha, rapidamente se traduz em aperto logístico e volatilidade de preços ao produtor.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o produtor deve acompanhar de perto câmbio, fretes internacionais, ritmo de importação e evolução dos preços da soja e do milho, que definem a relação de troca. Janelas de queda pontual nos preços dos fertilizantes podem surgir com maior regularização da oferta, mas a concentração das compras aumenta o risco de gargalos e prêmios de última hora. Quem antecipar planejamento e travar volumes essenciais tende a reduzir surpresas em custo e disponibilidade.

Fontes

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