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Mercosul mira China e critica assimetrias com União Europeia

Bloco sul-americano reage a vantagens da UE no acordo comercial e prepara nova agenda de negociações com a China, com impactos diretos para o agro.

05 de julho de 2026 5 min de leitura
Mercosul mira China e critica assimetrias com União Europeia

O Mercosul elevou o tom contra a assimetria econômica e regulatória com a União Europeia e começou a organizar uma nova frente de negociações comerciais com a China, maior comprador de commodities do bloco. A movimentação ocorre em meio à entrada em vigor da parte comercial do acordo Mercosul–UE, vista por governos e setores produtivos como vantajosa para a indústria europeia e concentrada no agronegócio do lado sul-americano.[2][3][1]

O que aconteceu

Líderes do Mercosul criticaram o desenho do acordo com a União Europeia, apontando que o tratado aprofunda diferenças de competitividade entre os blocos e favorece os setores industriais europeus, enquanto o Mercosul segue concentrado em bens primários, especialmente agropecuários.[1][3] A avaliação é que, mesmo com redução tarifária relevante, o espaço para agregação de valor na região continua limitado e pressionado por exigências regulatórias e ambientais mais rígidas.

Ao mesmo tempo, o bloco sul-americano iniciou movimento para fortalecer a agenda com a China, principal destino das exportações agrícolas de países como Brasil e Argentina. A ideia é buscar maior acesso a mercado para alimentos processados, proteína animal e produtos industriais ligados ao agro, além de discutir investimentos em infraestrutura e logística para escoamento de produção.[3][7]

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Por que importa para o agro

Para o produtor rural, a combinação de acordo com a UE e aproximação com a China pode redesenhar preços, demanda e exigências de qualidade. A União Europeia tende a continuar como mercado de nicho, pagando melhor por produtos com rastreabilidade, certificações ambientais e baixa pegada de carbono, mas com maior custo de conformidade para a cadeia.[2][3] Já a China segue como destino de volume, crucial para grãos, carnes e fibras, com foco em competitividade de preço e segurança de abastecimento.

Do ponto de vista estratégico, a crítica às assimetrias com a UE reforça a percepção de que o agronegócio do Mercosul corre risco de ficar preso ao papel de fornecedor de matérias-primas, enquanto compra produtos industriais e tecnologias com maior valor agregado. Se as negociações com a China avançarem para incluir processamento de alimentos, máquinas agrícolas, fertilizantes e biocombustíveis, o agro pode ganhar novos espaços de industrialização e diversificação de receitas.[1][5][7]

Dados e contexto

Mercosul e União Europeia somam um PIB superior a US$ 22 trilhões e uma população de cerca de 718 milhões de pessoas, formando um dos maiores corredores comerciais do mundo.[3] No acordo comercial, a oferta do Mercosul à UE cobre 91% dos códigos tarifários e cerca de 85% do valor das importações brasileiras de produtos europeus, com desgravação imediata ou escalonada em até 15 anos.[2] Do lado europeu, a liberalização alcança mais de 90% das tarifas sobre bens industrializados, com forte impacto em setores químicos, de autopeças, têxteis e calçados.[2][6]

Para o agro, produtos como café, frutas, óleos, couros e nozes entram na categoria de zeragem imediata de tarifas na UE, ampliando a competitividade de exportadores do Mercosul.[3] Estimativas indicam potencial de dobrar o fluxo comercial entre os blocos, de cerca de R$ 77 bilhões para R$ 154 bilhões por ano, com maior ganho concentrado em segmentos já competitivos.[1] A crítica à assimetria parte justamente do ponto de que os ganhos se distribuem de forma desigual, favorecendo a indústria europeia e o agronegócio do Mercosul, sem alterar de forma relevante a estrutura produtiva da região.[1][7]

A China, por sua vez, é hoje o maior comprador de soja, milho, carnes bovina e suína do Mercosul, com participação superior a 30% das exportações agropecuárias brasileiras, segundo levantamentos de comércio exterior do governo federal e da Conab.[3] A ampliação da parceria com o país asiático tende a envolver não apenas tarifas, mas também investimentos em ferrovias, portos e armazenagem, elementos centrais para reduzir custos logísticos e ampliar margens do produtor.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar três frentes: a implementação prática do acordo com a UE, incluindo exigências ambientais e sanitárias; a evolução das negociações comerciais com a China, especialmente em carne, grãos e proteína processada; e o movimento interno do Mercosul para reduzir sua própria assimetria, investindo em industrialização ligada ao campo. A combinação desses fatores pode abrir novas janelas de preço e mercado, mas também aumentar a pressão por eficiência, rastreabilidade e adaptação regulatória em toda a cadeia.

Fontes

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