Método da Embrapa amplia estimativa da pegada hídrica de herbicidas na cana
Novo modelo da Embrapa considera o efeito combinado de 17 herbicidas e eleva em 116 vezes a estimativa da pegada hídrica cinza.

Um estudo da Embrapa Meio Ambiente propõe uma nova forma de calcular a pegada hídrica cinza dos herbicidas usados na cana-de-açúcar. Ao considerar o efeito combinado de diferentes produtos sobre os recursos hídricos, o método chegou a uma estimativa 116 vezes maior que a obtida pelo cálculo tradicional.
O que aconteceu
A pegada hídrica cinza representa, de forma hipotética, o volume de água necessário para diluir poluentes até concentrações consideradas seguras. O indicador é usado para avaliar a pressão de fertilizantes e defensivos sobre águas superficiais e subterrâneas.
O modelo analisado pela Embrapa considera a mistura de herbicidas e seus efeitos sobre organismos aquáticos, como algas, peixes, microcrustáceos e plantas. A proposta busca superar limitações de métodos que avaliam os produtos de forma isolada.
Na aplicação ao cultivo da cana, foram analisados 17 herbicidas. Pelo método tradicional, a pegada hídrica cinza total foi estimada em 49,5 bilhões de metros cúbicos. Com o novo modelo, o volume chegou a 5,74 trilhões de metros cúbicos.
Por que importa para o agro
O resultado não significa que esse volume de água seja efetivamente consumido ou que exista uma contaminação equivalente em campo. Trata-se de um indicador teórico de diluição, calculado a partir da toxicidade dos produtos e da concentração estimada nos recursos hídricos.
A mudança pode alterar avaliações de sustentabilidade, inventários ambientais e comparações entre sistemas de produção. Também reforça a necessidade de considerar dose, momento de aplicação, condições climáticas, textura do solo e risco de escorrimento superficial.
Para o produtor, o estudo aumenta a relevância do manejo orientado. Aplicações mais precisas, respeito às recomendações de bula, escolha adequada dos produtos e manutenção de práticas de conservação do solo ajudam a reduzir perdas e exposição dos mananciais.
Dados e contexto
- Instituição: Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP).
- Cultura avaliada: cana-de-açúcar.
- Produtos analisados: 17 herbicidas.
- Método tradicional: 49,5 bilhões de m³ de pegada hídrica cinza.
- Novo modelo: 5,74 trilhões de m³.
- Diferença estimada: aproximadamente 116 vezes.
Estudo anterior da Embrapa indicou perdas médias de 0,73% para o diuron e de 3,07% para o hexazinone em canaviais. Esses dados mostram que a quantidade aplicada não é o único fator de risco: comportamento da molécula, solo, chuva e vulnerabilidade dos organismos aquáticos também influenciam o resultado.
O que observar daqui para frente
A principal oportunidade está no uso do novo modelo como ferramenta de gestão, e não como medida direta de consumo de água. Pesquisas de campo deverão indicar como as estimativas se comportam em diferentes solos, regiões e sistemas de manejo. Para usinas e fornecedores, o indicador pode apoiar programas de redução de perdas, proteção de nascentes e rastreabilidade ambiental.
Fontes
- Canal Rural — Novo método da Embrapa estima pegada hídrica de herbicidas até 116 vezes maior na cana-de-açúcar
- Embrapa — Estudo indica que canaviais brasileiros contaminam menos do que se pensava
- Embrapa — Modelo matemático para diluir agrotóxicos diminui risco de contaminação ambiental
- alice.cnptia.embrapa.br
- infoteca.cnptia.embrapa.br
- embrapa.br
- infoteca.cnptia.embrapa.br
- alice.cnptia.embrapa.br
- apct.sede.embrapa.br
- infoteca.cnptia.embrapa.br
- ainfo.cnptia.embrapa.br
- ainfo.cnptia.embrapa.br
- alice.cnptia.embrapa.br
- alice.cnptia.embrapa.br
- alice.cnptia.embrapa.br
Continue lendo
Pnuma pede corte de 18% nas emissões globais até 2030
Relatório do Pnuma aponta que as emissões globais precisam cair 18% até 2030, ampliando a pressão por mudanças na produção e no consumo.
Seca deixa rebanhos sem alimento e corta renda de famílias em Sergipe
Estiagem atinge 11 municípios, reduz a produção de leite, mata animais e força produtores a vender o rebanho para sobreviver.
UE avalia flexibilizar regras para agrotóxicos e enfrenta reação de cientistas
Proposta da Comissão Europeia pode ampliar autorizações de agrotóxicos, enquanto especialistas alertam para riscos à saúde, ao ambiente e aos trabalhadores rurais.