Sustentabilidade

Método da Embrapa amplia estimativa da pegada hídrica de herbicidas na cana

Novo modelo da Embrapa considera o efeito combinado de 17 herbicidas e eleva em 116 vezes a estimativa da pegada hídrica cinza.

29 de setembro de 2026 4 min de leitura
Método da Embrapa amplia estimativa da pegada hídrica de herbicidas na cana

Um estudo da Embrapa Meio Ambiente propõe uma nova forma de calcular a pegada hídrica cinza dos herbicidas usados na cana-de-açúcar. Ao considerar o efeito combinado de diferentes produtos sobre os recursos hídricos, o método chegou a uma estimativa 116 vezes maior que a obtida pelo cálculo tradicional.

O que aconteceu

A pegada hídrica cinza representa, de forma hipotética, o volume de água necessário para diluir poluentes até concentrações consideradas seguras. O indicador é usado para avaliar a pressão de fertilizantes e defensivos sobre águas superficiais e subterrâneas.

O modelo analisado pela Embrapa considera a mistura de herbicidas e seus efeitos sobre organismos aquáticos, como algas, peixes, microcrustáceos e plantas. A proposta busca superar limitações de métodos que avaliam os produtos de forma isolada.

Na aplicação ao cultivo da cana, foram analisados 17 herbicidas. Pelo método tradicional, a pegada hídrica cinza total foi estimada em 49,5 bilhões de metros cúbicos. Com o novo modelo, o volume chegou a 5,74 trilhões de metros cúbicos.

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Por que importa para o agro

O resultado não significa que esse volume de água seja efetivamente consumido ou que exista uma contaminação equivalente em campo. Trata-se de um indicador teórico de diluição, calculado a partir da toxicidade dos produtos e da concentração estimada nos recursos hídricos.

A mudança pode alterar avaliações de sustentabilidade, inventários ambientais e comparações entre sistemas de produção. Também reforça a necessidade de considerar dose, momento de aplicação, condições climáticas, textura do solo e risco de escorrimento superficial.

Para o produtor, o estudo aumenta a relevância do manejo orientado. Aplicações mais precisas, respeito às recomendações de bula, escolha adequada dos produtos e manutenção de práticas de conservação do solo ajudam a reduzir perdas e exposição dos mananciais.

Dados e contexto

  • Instituição: Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP).
  • Cultura avaliada: cana-de-açúcar.
  • Produtos analisados: 17 herbicidas.
  • Método tradicional: 49,5 bilhões de m³ de pegada hídrica cinza.
  • Novo modelo: 5,74 trilhões de m³.
  • Diferença estimada: aproximadamente 116 vezes.
A metodologia está relacionada à avaliação da chamada água cinza, um dos componentes da pegada hídrica. Os outros são a água verde, associada à chuva e à umidade do solo, e a água azul, ligada à irrigação e a outras fontes de água superficial ou subterrânea.

Estudo anterior da Embrapa indicou perdas médias de 0,73% para o diuron e de 3,07% para o hexazinone em canaviais. Esses dados mostram que a quantidade aplicada não é o único fator de risco: comportamento da molécula, solo, chuva e vulnerabilidade dos organismos aquáticos também influenciam o resultado.

O que observar daqui para frente

A principal oportunidade está no uso do novo modelo como ferramenta de gestão, e não como medida direta de consumo de água. Pesquisas de campo deverão indicar como as estimativas se comportam em diferentes solos, regiões e sistemas de manejo. Para usinas e fornecedores, o indicador pode apoiar programas de redução de perdas, proteção de nascentes e rastreabilidade ambiental.

Fontes

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