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Milho em 2023: avanço na produção, gargalos na logística

Brasil consolida produção recorde de milho em 2023, mas enfrenta desafios de logística, armazenagem e rentabilidade para manter competitividade.

01 de setembro de 2026 4 min de leitura
Milho em 2023: avanço na produção, gargalos na logística

A produção de milho no Brasil em 2023 consolidou o país entre os maiores players globais, com colheita acima de 130 milhões de toneladas e ganho consistente de produtividade. Ao mesmo tempo, gargalos de logística, armazenagem e pressão de preços comprimiram margens, acenderam alerta sobre rentabilidade e expuseram a necessidade de ajustar estratégia de produção e escoamento.

O que aconteceu

Em 2023 o milho avançou sobre novas áreas e consolidou a segunda safra como protagonista da oferta nacional, garantindo excedente para exportação e abastecimento da cadeia de proteína animal. Em estados como Mato Grosso, o cereal já disputa espaço com a soja como principal fonte de receita da fazenda, com parte dos produtores usando o milho como âncora de fluxo de caixa.

Apesar da boa produção, o ano foi marcado por clima irregular, atrasos de plantio e replantio em importantes regiões, especialmente na safra 2023/24. Produtores relataram maior pressão de pragas e doenças, redução de investimento em tecnologia em parte das áreas e maior risco operacional em janelas mais apertadas de semeadura.

O lado econômico trouxe desafios adicionais: os preços do milho oscilaram forte e, em muitos momentos, ficaram abaixo do custo completo em regiões distantes dos portos. A combinação de fretes elevados, estruturas de armazenagem insuficientes e necessidade de venda rápida pressionou a renda do produtor e aumentou a dependência de bons momentos de mercado.

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Por que importa para o agro

O milho hoje é peça central da renda do produtor e da competitividade brasileira em grãos. Quando a safra é grande, mas a logística não acompanha, parte do ganho de produtividade se perde em frete caro, fila em armazéns e venda forçada em momentos de baixa de preço.

Para a cadeia de proteína animal, especialmente no Sul, o milho é insumo estratégico. Falhas de oferta regional ou custos de transporte mais altos podem reduzir margens de suinocultura, avicultura e bovinocultura de leite, afetando indústrias e cooperativas e ampliando a importância de contratos, integração e planejamento de compra.

Dados e contexto

Segundo a Embrapa, a produção brasileira de milho passou de cerca de 16 milhões de toneladas em 1974 para aproximadamente 132 milhões de toneladas em 2023, com forte avanço de produtividade, que saiu de 2 t/ha para perto de 6 t/ha no período.[10]

A Conab estimou para a safra 2022/23 uma produção de grãos de 315,8 milhões de toneladas, sendo 125,7 milhões de toneladas de milho nas três safras, das quais 96,3 milhões apenas na segunda safra.[13]

Em termos de estrutura, estudos setoriais apontam:

IndicadorSituação aproximada
Área irrigadaCerca de **10 milhões ha**, com potencial para chegar a **52 milhões ha**
Água doce disponívelBrasil utiliza cerca de **1%** dos **12%** de água doce do planeta
Capacidade de armazenagemEm torno de **5 milhões t** adicionais necessárias frente ao crescimento anual da produção
Perdas por falta de armazénsAté **10% da produção**, com impacto estimado próximo de **R$ 50 bilhões** ao ano[9]

No Rio Grande do Sul, por exemplo, a Conab apontou aumento de produtividade de milho em 2023/24, mesmo com leve redução de área. Há lavouras registrando até 18 t/ha de milho seco, bem acima da média estadual em torno de 6 t/ha, puxadas por rotação de culturas e manejo ajustado.[15]

O que observar daqui pra frente

O produtor precisa acompanhar de perto três frentes: evolução dos custos e da tecnologia, capacidade regional de armazenagem e a política de logística e escoamento de grãos. Investimentos em irrigação, armazenagem na fazenda, integração com cadeias de proteína e uso mais intenso de ferramentas de comercialização (hedge, contratos futuros e barter) serão decisivos para transformar safra grande em renda consistente e reduzir a exposição a períodos de preços baixos e fretes elevados.

Fontes

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