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Ministro afasta risco de desabastecimento de fertilizantes no Brasil

Ministro da Agricultura afirma que o Brasil afastou o risco imediato de falta de fertilizantes, mas a dependência externa continua elevada.

22 de setembro de 2026 3 min de leitura
Ministro afasta risco de desabastecimento de fertilizantes no Brasil

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o risco de desabastecimento de fertilizantes no Brasil foi afastado. A declaração foi dada durante o Congresso do Algodão e reduz a pressão sobre produtores que planejam a próxima safra. A dependência de importações, porém, continua sendo o principal ponto de atenção para o setor.

O que aconteceu

Segundo o ministro, o abastecimento está garantido no curto prazo, apesar das incertezas do mercado internacional e da alta dos preços de matérias-primas. O governo também negocia com o Marrocos um acordo para ampliar a segurança no fornecimento de fertilizantes fosfatados.

A medida busca reduzir os riscos associados à concentração de fornecedores e a eventuais interrupções logísticas. O Brasil utiliza grandes volumes de nitrogenados, fosfatados e potássicos, produtos essenciais para culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.

Por que importa para o agro

A confirmação de oferta diminui o risco de compras emergenciais e de atrasos na aplicação dos nutrientes. Para o produtor, previsibilidade de entrega é decisiva para definir o calendário de aquisição, o custo de produção e a margem da lavoura.

O problema estrutural permanece. Em 2025, o Brasil entregou 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes ao mercado, mas importou 43,32 milhões de toneladas, o equivalente a 88,2% do total. Qualquer choque em preços, fretes, câmbio ou disponibilidade internacional pode chegar rapidamente ao campo.

Dados e contexto

  • As importações de fertilizantes chegaram a 45,5 milhões de toneladas em 2025, acima das 44,28 milhões de toneladas registradas em 2024, segundo dados da Conab.
  • A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 7,22 milhões de toneladas em 2025, avanço de 2,5% sobre 2024.
  • As entregas ao mercado brasileiro alcançaram 49,11 milhões de toneladas em 2025, recorde histórico, de acordo com a Anda.
  • O Plano Nacional de Fertilizantes, coordenado pelo governo federal, prevê elevar a participação da produção doméstica para cerca de 45% a 50% da demanda até 2050.
  • Entre as metas do plano estão ampliar a produção de nitrogenados, fosfatados e potássio e atrair investimentos para novas unidades industriais.
A produção interna ainda enfrenta obstáculos, como o custo do gás natural para a indústria de nitrogenados, a necessidade de investimentos e a baixa capacidade de processamento em algumas cadeias. O avanço do Plano Nacional de Fertilizantes depende de projetos competitivos e de execução contínua, não apenas de medidas emergenciais.

O que observar daqui para frente

Produtores devem acompanhar preços internacionais, câmbio, fretes e prazos de entrega antes de fechar novas compras. O acordo com o Marrocos pode ampliar a segurança no fornecimento de fosfatados, mas não elimina a exposição externa. A evolução da produção nacional e a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes serão os principais indicadores para medir se o alívio anunciado se transforma em segurança estrutural.

Fontes

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