Mercado

Ministro nega risco de falta de fertilizantes e diesel no agro

Ministro da Agricultura afirma que não há risco imediato de desabastecimento de fertilizantes ou diesel, mas mercado segue atento a preços e importações.

22 de setembro de 2026 4 min de leitura
Ministro nega risco de falta de fertilizantes e diesel no agro

O ministro da Agricultura afirmou que o Brasil não enfrenta risco imediato de desabastecimento de fertilizantes nem de diesel. A declaração busca reduzir a preocupação de produtores e empresas antes do avanço da safra. Mesmo sem falta física dos insumos, preços, fretes e dependência externa continuam pressionando o planejamento do campo.

O que aconteceu

O ministro disse que o abastecimento de fertilizantes está mantido e que os fluxos de importação seguem garantindo o atendimento do mercado brasileiro. A avaliação considera a disponibilidade dos produtos para as principais culturas e o ritmo de compras realizado por distribuidores e produtores.

Sobre o diesel, a posição do governo é que não há sinais de interrupção no fornecimento nacional. O combustível é essencial para tratores, colheitadeiras, caminhões e operações de armazenagem, o que torna qualquer restrição um risco direto para o custo e o ritmo da produção.

A declaração ocorre em um ambiente de maior instabilidade internacional. Conflitos, mudanças nos fluxos de comércio e oscilações no petróleo podem elevar custos mesmo quando não existe desabastecimento nas revendas.

Por que importa para o agro

Fertilizantes e diesel estão entre os principais componentes do custo agrícola. A garantia de oferta reduz o risco de paralisação das operações e permite que o produtor organize compras, plantio, tratos culturais e colheita com maior previsibilidade.

O risco maior, neste momento, está no preço. O Brasil importa entre 83% e 90% dos fertilizantes consumidos, segundo informações divulgadas pelo Canal Rural. Essa dependência deixa o mercado exposto ao câmbio, ao frete marítimo, às sanções comerciais e à disponibilidade de nitrogenados, fosfatados e potássicos.

O diesel também afeta toda a cadeia. Uma alta nas bombas aumenta o custo das operações mecanizadas e do transporte de grãos, fertilizantes, defensivos e combustíveis. Em regiões distantes dos portos e dos centros consumidores, o impacto tende a ser maior.

Dados e contexto

  • O Brasil está entre os maiores produtores agrícolas do mundo, mas mantém forte dependência de fertilizantes importados.
  • O diesel comum e o diesel S-10 registraram médias nacionais próximas de R$ 7,31 e R$ 7,52 por litro, respectivamente, em levantamento citado no Boletim Logístico da Conab de maio de 2026.
  • Em Mato Grosso, dados da ANP citados pelo Notícias Agrícolas indicaram alta do diesel de R$ 6,35 para R$ 7,21 por litro entre fevereiro e março de 2026.
  • O MAPA mantém painéis de acompanhamento sobre fertilizantes, inoculantes, corretivos e outros insumos agrícolas.
  • A Conab acompanha preços de combustíveis, logística e condições de escoamento das safras.
A ausência de desabastecimento não elimina a necessidade de gestão. Compras concentradas em períodos de forte demanda podem encarecer o produto e aumentar a exposição do produtor às oscilações internacionais.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar cotações de fertilizantes, câmbio, fretes e preços regionais do diesel antes de fechar novas compras. Também é necessário observar estoques nos distribuidores e eventuais mudanças nos fluxos internacionais. Para o governo, o desafio é preservar a oferta e avançar em políticas que reduzam a vulnerabilidade externa do país, sem criar medidas que encareçam a importação ou interrompam o abastecimento.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo