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Ministro afasta risco de falta de fertilizantes na safra 2026/27

Governo diz que retomada de fábricas e medidas de estímulo reduziram o risco de desabastecimento, mas dependência externa ainda preocupa o agro.

25 de setembro de 2026 4 min de leitura
Ministro afasta risco de falta de fertilizantes na safra 2026/27

O ministro da Agricultura afirmou que o risco de falta de fertilizantes para a safra 2026/27 está afastado. A avaliação considera a retomada de unidades industriais, a disponibilidade de importações e medidas do governo para ampliar a produção nacional. O cenário reduz a ameaça de interrupções no plantio, mas não elimina a exposição do Brasil aos preços e à logística internacionais.

O que aconteceu

Segundo as informações divulgadas, três fábricas de fertilizantes ligadas à Petrobras voltaram a produzir. As unidades estão localizadas na Bahia, em Sergipe e no Paraná, com fabricação de produtos nitrogenados, incluindo ureia. A retomada aumenta a oferta doméstica e reduz parte da pressão sobre as compras externas.

O governo também aposta em políticas de estímulo à indústria. Entre elas está o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, o Profert, criado para incentivar investimentos e diminuir a dependência brasileira de fornecedores estrangeiros.

A avaliação oficial ocorre em um mercado ainda sujeito a oscilações. Conflitos, restrições comerciais, custos de energia e problemas de transporte podem alterar preços e prazos de entrega ao longo do ciclo agrícola.

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Por que importa para o agro

A disponibilidade de fertilizantes influencia diretamente o planejamento de soja, milho, cana-de-açúcar e outras culturas. Uma eventual falta poderia atrasar aplicações, elevar o custo por hectare e levar produtores a reduzir doses, com impacto sobre o potencial produtivo.

A retomada da produção nacional oferece uma alternativa adicional para cooperativas, revendas e agricultores. No entanto, o efeito sobre os preços dependerá do volume produzido, da regularidade das operações e da capacidade de competir com o produto importado.

Dados e contexto

O Brasil responde por cerca de 8% do consumo mundial de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 73% da demanda nacional.

A dependência externa continua elevada. Estimativas divulgadas pelo setor indicam que aproximadamente 85% a 92% dos fertilizantes usados no país são importados, conforme a metodologia e o período considerados. Por isso, a retomada de fábricas reduz a vulnerabilidade, mas não garante autossuficiência.

No primeiro semestre de 2026, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 19,02 milhões de toneladas, queda de 5,4% ante os 20,11 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2025, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

IndicadorInformação
Consumo global do BrasilCerca de 8%
Principais culturas consumidorasSoja, milho e cana-de-açúcar
Entregas no 1º semestre de 202619,02 milhões de toneladas
Variação anualQueda de 5,4%
Meta do Plano Nacional de FertilizantesProdução interna de 45% a 50% da demanda até 2050

O Plano Nacional de Fertilizantes, coordenado pelo Mapa, estabelece metas de longo prazo para ampliar a produção brasileira. A legislação do Profert também prevê incentivos à indústria e mistura obrigatória de fertilizantes nacionais sintéticos e minerais a partir de 2027.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar preços, câmbio, fretes e o calendário de entrega regional antes de fechar as compras. A oferta nacional pode melhorar a segurança do abastecimento, mas a dependência das importações mantém o mercado exposto a choques externos. O desempenho das fábricas retomadas e a execução do Profert serão decisivos para transformar a promessa de segurança em oferta regular.

Fontes

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