Ministro alemão defende avanço do acordo Mercosul–União Europeia
Ministro da Agricultura da Alemanha reforça apoio ao acordo Mercosul–UE e pede avanço rápido, apesar da pressão de agricultores europeus.
O ministro da Agricultura da Alemanha voltou a defender o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, afirmando que o tratado precisa sair do impasse político e caminhar para a ratificação. A posição alemã ganha peso em meio à resistência de parte dos agricultores europeus e pode destravar um dos acordos mais relevantes para o agro brasileiro.
O que aconteceu
Durante evento na Alemanha, o ministro destacou que o acordo Mercosul–UE é estratégico para fortalecer cadeias de suprimento, reduzir dependência de poucos fornecedores e ampliar o acesso a alimentos e matérias-primas agrícolas a preços competitivos.[4][5]
Ele reconheceu a existência de pressão interna de produtores europeus, especialmente em países como França, que temem maior concorrência de commodities do Mercosul, mas reforçou que o tratado é "equilibrado" e pode ser ajustado com salvaguardas e regras ambientais.[4][6]
A Alemanha, ao lado da Espanha, tem sido uma das principais vozes dentro da União Europeia pela implementação do acordo, negociado por 25 anos e assinado em 2026, mas ainda pendente de ratificação plena nos parlamentos dos dois blocos.[4][5][6]
Por que importa para o agro
O acordo Mercosul–UE prevê redução gradual de tarifas e ampliação de cotas para exportações agrícolas, abrindo espaço para mais vendas de carne bovina, aves, açúcar, etanol, soja e milho do Brasil para um dos mercados mais exigentes e de maior poder de compra do mundo.[5][6]
Para o produtor brasileiro, a combinação de menos tarifa e maior previsibilidade regulatória pode significar prêmio de preço, contratos de longo prazo e incentivo à adoção de padrões ambientais e de rastreabilidade, que já são foco de programas de Embrapa e MAPA voltados à exportação.
Dados e contexto
A UE se compromete, no desenho atual do acordo, a liberar 99% do comércio de produtos agrícolas dos países do Mercosul, com dois mecanismos principais:[6]
- 81,7% dos produtos terão eliminação total de tarifas.
- 17,7% serão enquadrados em sistemas de cotas ou tratamento preferencial.
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Participação da UE nas exportações do agro brasileiro | cerca de **15%** das vendas externas, segundo dados consolidados de MAPA e MDIC |
| Tempo de negociação do acordo | **25 anos** entre Mercosul e UE[4][6] |
| Condição atual do tratado | Acordo assinado, dependente de ratificação e implementação escalonada[5][6] |
O processo europeu exige maioria qualificada no Conselho da UE: apoio de pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população do bloco, o que aumenta o peso político de países grandes como Alemanha, França, Itália e Espanha.[4]
O que observar daqui pra frente
Para o agro brasileiro, o ponto-chave será acompanhar se a pressão da Alemanha e de países pró-comércio prevalecerá sobre as resistências internas ligadas à agricultura e às exigências ambientais. Se o acordo avançar com regras claras de sustentabilidade, quem estiver preparado em termos de rastreabilidade, baixa emissão e conformidade sanitária terá vantagem imediata para ocupar espaço no mercado europeu.
Fontes
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