Manejo

Morre Zé Humberto, ícone da pecuária zebuína brasileira

Pecuarista José Humberto Vilela Martins, da Fazenda Camparino, morre aos 80 anos, deixando legado decisivo na seleção de Nelore e na pecuária de corte.

17 de agosto de 2026 5 min de leitura
Morre Zé Humberto, ícone da pecuária zebuína brasileira

O pecuarista José Humberto Vilela Martins, o Zé Humberto, morreu neste domingo (16), aos 80 anos, deixando um dos legados mais marcantes da pecuária de corte e da seleção de raças zebuínas no Brasil. À frente da Fazenda Camparino, em Cáceres (MT), ele influenciou gerações de criadores, consolidou genética de alto valor em Nelore e se tornou personagem central da memória do agro brasileiro.

O que aconteceu

Zé Humberto faleceu após mais de seis décadas de dedicação à pecuária, período em que construiu um dos plantéis mais respeitados de zebu de corte, com foco em Nelore. O produtor mineiro, nascido em Ituiutaba, migrou para o Centro-Oeste e transformou a Fazenda Camparino em referência nacional em seleção, manejo e comercialização de genética.

Além da atuação direta no campo, o pecuarista foi retratado em projetos jornalísticos voltados à memória do agro, como o Memórias do Brasil Rural, tornando-se símbolo de uma geração que profissionalizou a pecuária de corte sem perder o vínculo com a lida prática. Sua trajetória também foi destaque em podcasts e programas especializados, onde defendia a combinação entre tecnologia, avaliação genética e olhar experiente sobre o gado.

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Por que importa para o agro

A morte de Zé Humberto representa a perda de uma liderança técnica e prática num momento em que a pecuária brasileira busca ganhar produtividade, reputação internacional e consistência genética. Seu trabalho ajudou a consolidar um padrão de Nelore funcional, adaptado a pastagens tropicais, com foco em desempenho, fertilidade e rusticidade, contribuindo para a competitividade da carne brasileira em mercados interno e externo.

Ao longo dos anos, leilões da Fazenda Camparino se tornaram termômetro de preço e qualidade de reprodutores e matrizes zebuínas, influenciando decisões de investimento de pecuaristas comerciais e selecionadores. A ausência de sua liderança direta abre espaço para processos de sucessão familiar e profissionalização ainda maior das equipes técnicas, mas também reforça a importância de preservar o conhecimento acumulado, especialmente na seleção de animais em campo.

Dados e contexto

A pecuária de corte é um dos pilares do agro brasileiro, com rebanho bovino superior a 230 milhões de cabeças, segundo estimativas recentes do IBGE e da Conab. A raça Nelore responde pela maioria dos animais de corte no país, graças à rusticidade e à adaptação a sistemas de pasto extensivo.

A Fazenda Camparino, liderada por Zé Humberto, figurou entre os principais criatórios de Nelore registrados em associações de raça como a ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil), fornecendo touros e matrizes para rebanhos comerciais em diversos estados. Em leilões de elite, médias de touros acima de R$ 20 mil e fêmeas selecionadas com liquidez próxima de 100% mostraram o peso da marca Camparino no mercado de genética.

A seleção conduzida ao longo de mais de 60 anos buscou equilíbrio entre avaliação genética oficial, dados de desempenho em pasto e critérios fenotípicos observados em campo. Essa abordagem dialoga com pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste e da Embrapa Gado de Corte, que apontam a integração de informação genética e manejo como eixo central do aumento de produtividade sem ampliar área ocupada.

Em contexto de expansão da demanda global por carne bovina, relatórios de instituições como USDA e MAPA destacam o Brasil como um dos principais exportadores, com a base genética zebuína como diferencial em regiões tropicais. O trabalho de selecionadores como Zé Humberto ajuda a sustentar esse papel ao fornecer animais capazes de responder a sistemas cada vez mais intensivos e exigentes.

O que observar daqui pra frente

A partir da morte de Zé Humberto, o ponto-chave para o produtor é acompanhar como será conduzida a sucessão na Fazenda Camparino e em outros projetos ligados à sua genética, avaliando a continuidade dos critérios de seleção, o padrão dos leilões e a integração com ferramentas modernas de avaliação, como DEP, genômica e indicadores de sustentabilidade. Para quem compra touros e matrizes, vale observar como novas lideranças técnicas vão manter ou aprimorar a consistência dessa genética em sistemas de pecuária de corte voltados a produtividade, qualidade de carcaça e adequação às pressões crescentes de mercado e meio ambiente.

Fontes

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