Mubadala e FS avaliam dívida da Raízen e podem ampliar influência na bioenergia
Mubadala e FS analisam ativos e dívidas da Raízen em um movimento que pode alterar o controle e a dinâmica do setor sucroenergético brasileiro.

Mubadala e FS Bioenergia analisam oportunidades relacionadas à dívida da Raízen. O movimento ocorre em meio ao aumento da alavancagem, à venda de ativos e à necessidade de reorganizar o balanço da maior plataforma integrada de açúcar, etanol, combustíveis e bioenergia do país. A negociação pode influenciar o controle da companhia e a direção do setor sucroenergético brasileiro.
O que aconteceu
O fundo soberano Mubadala e a FS Bioenergia estão entre os interessados em avaliar a estrutura financeira da Raízen. A estratégia pode envolver a compra de créditos, a conversão de dívida em participação acionária ou a aquisição de ativos ligados à produção de etanol e geração de energia.
A Raízen enfrenta pressão financeira depois de anos de investimentos, juros elevados e desempenho operacional mais fraco. A companhia também iniciou uma revisão do portfólio, com venda de ativos e redução de desembolsos em projetos considerados não prioritários.
A eventual entrada de novos investidores pode alterar a composição societária. O Mubadala já possui atuação relevante no setor de energia e infraestrutura no Brasil. A FS, por sua vez, é uma das principais produtoras de etanol de milho do país e tem experiência em expansão industrial e gestão de ativos bioenergéticos.
Por que importa para o agro
A Raízen possui dezenas de usinas, uma grande base agrícola e presença na comercialização de açúcar, etanol e combustíveis. Mudanças no controle ou na estrutura de capital podem afetar decisões sobre moagem, renovação de canaviais, investimentos industriais e contratação de fornecedores.
Para produtores de cana, transportadores e empresas de insumos, o principal ponto é a continuidade das operações e das políticas de compra. Uma reestruturação bem-sucedida pode preservar capacidade de investimento. Já uma venda acelerada de ativos pode reduzir projetos, alterar contratos ou concentrar recursos nas unidades mais rentáveis.
Dados e contexto
A pressão financeira da Raízen aumentou rapidamente. No fim do ano-safra 2024/2025, a dívida líquida chegou a R$ 34,3 bilhões, alta de 78,9% em um ano, enquanto a alavancagem subiu para 3,2 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda ajustado.
No terceiro trimestre do ano-safra 2024/2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 2,57 bilhões. A dívida líquida alcançou R$ 38,59 bilhões no período, e o custo financeiro avançou com a elevação das despesas bancárias e dos encargos da dívida.
A empresa também anunciou medidas para preservar caixa. Entre elas estão a revisão de investimentos em etanol de segunda geração, a venda de ativos de geração distribuída e a redução de projetos fora das atividades consideradas essenciais.
A FS opera usinas de etanol de milho, segmento que ganhou espaço no Centro-Oeste por utilizar uma matéria-prima disponível durante todo o ano. A possível aproximação com a Raízen pode ampliar sua presença em ativos industriais, logística e distribuição de combustíveis.
O que observar daqui para frente
O mercado deve acompanhar se a operação envolverá apenas a compra de créditos ou também participação societária. Também será necessário avaliar quais ativos podem ser vendidos, como ficará a governança e se haverá novos cortes de investimentos. Para o agro, os sinais mais relevantes serão a manutenção da capacidade de moagem, os contratos com fornecedores e a retomada da geração de caixa.
Fontes
Continue lendo
Cacau brasileiro amplia presença internacional após evento em Paris
Participação brasileira no Salão do Chocolate de Paris abriu novos negócios e reforçou a qualidade do cacau produzido na Bahia, no Pará e no Espírito Santo.
Artesã paulista amplia produção e conquista clientes no exterior após presente a Ana Hickmann
Bolsa entregue a Ana Hickmann fez artesã de Sales Oliveira ganhar 50 mil seguidores, triplicar a produção e receber pedidos internacionais.
China desacelera compras agrícolas dos EUA e testa acordo de US$ 17 bilhões
Compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA, fora a soja, podem atingir o menor nível em sete anos, ampliando a incerteza no comércio global.