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Navarini investe R$ 500 milhões em 251 caminhões elétricos

Transportadora de Sorriso (MT) comprará 251 caminhões elétricos da XCMG para o transporte de grãos em rotas de longa distância.

02 de outubro de 2026 4 min de leitura
Navarini investe R$ 500 milhões em 251 caminhões elétricos

A Transportadora Navarini, de Sorriso (MT), fechou um contrato de aproximadamente R$ 500 milhões com a fabricante chinesa XCMG para comprar 251 caminhões rodoviários 100% elétricos. Os veículos serão usados no transporte de grãos em rotas de longa distância, levando a eletrificação para uma das operações mais exigentes da logística agrícola.

O que aconteceu

O negócio envolve o modelo E7-95T, um cavalo-mecânico elétrico desenvolvido para operações pesadas. Segundo as empresas, a compra representa a maior aquisição de caminhões rodoviários elétricos pesados já realizada na América Latina.

A Navarini atua principalmente no transporte de cargas ligadas ao agronegócio. A nova frota será direcionada ao escoamento de grãos, atividade que combina grandes volumes, longas distâncias, variação de relevo e pressão por produtividade durante a safra.

Os veículos passaram por testes em condições próximas às operações da transportadora. O projeto de eletrificação da frota começou em 2024 e agora avança para uma escala comercial inédita no transporte pesado brasileiro.

Por que importa para o agro

O transporte rodoviário é essencial para retirar a produção de Mato Grosso das regiões produtoras e levá-la a armazéns, terminais ferroviários, portos e indústrias. A adoção de caminhões elétricos pode reduzir o consumo de diesel e a emissão de poluentes nas operações em que houver infraestrutura adequada de recarga.

Para o produtor, o efeito inicial tende a ser indireto. A mudança pode estimular transportadoras, cooperativas e tradings a avaliar custos energéticos, disponibilidade de veículos e metas ambientais. Se os resultados operacionais forem positivos, a tecnologia poderá ganhar espaço em rotas previsíveis e com retorno frequente à base.

O impacto sobre o frete dependerá do custo total de operação. Além do preço de aquisição, entram na conta a instalação de carregadores, a capacidade da rede elétrica, o tempo de recarga, a manutenção, a vida útil das baterias e o valor de revenda dos caminhões.

Dados e contexto

IndicadorInformação
Investimento anunciadoAproximadamente R$ 500 milhões
Quantidade251 caminhões
ModeloXCMG E7-95T
Motorização100% elétrica
Peso bruto totalAté 74 toneladas
Capacidade máxima de traçãoAté 120 toneladas
Base da transportadoraSorriso (MT)
Principal aplicaçãoTransporte de grãos

A dependência das rodovias continua elevada na logística agropecuária brasileira. A Embrapa aponta que grandes trajetos também exigem maior integração com ferrovias e hidrovias, além de armazenagem adequada. Nesse cenário, a eletrificação não substitui os investimentos em infraestrutura, mas pode complementar a modernização do transporte rodoviário.

A operação também cria uma referência para medir o desempenho de caminhões elétricos em cargas pesadas. O resultado dependerá de autonomia real, disponibilidade dos veículos, topografia das rotas e regularidade das recargas durante a safra.

O que observar daqui para frente

Os principais pontos serão o cronograma de entrega, a implantação da infraestrutura elétrica e o desempenho dos caminhões em viagens reais. Também será necessário acompanhar o custo por tonelada transportada, o tempo de recarga e a manutenção. Para outras empresas, a experiência da Navarini pode indicar se a eletrificação é viável em rotas cativas, com distâncias conhecidas e retorno frequente à base.

Fontes

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