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Newcastle pode pressionar preços do frango no primeiro trimestre de 2027

Restrições às exportações de Santa Catarina podem aumentar a oferta interna e pressionar os preços do frango no início de 2027.

24 de outubro de 2026 4 min de leitura
Newcastle pode pressionar preços do frango no primeiro trimestre de 2027

As restrições comerciais provocadas por um foco de doença de Newcastle em Santa Catarina podem aumentar a oferta de carne de frango no mercado brasileiro e pressionar as cotações no início de 2027. A avaliação é do Itaú BBA, que vê o maior risco concentrado no atacado da Região Sul, especialmente se os embargos demorarem a ser suspensos.

O que aconteceu

A confirmação do foco em Santa Catarina levou compradores internacionais a suspenderem ou restringirem as importações de carne de frango produzida no estado. China, Arábia Saudita, Chile e México estão entre os mercados afetados pelas medidas comerciais, segundo informações divulgadas sobre o relatório do banco.

Caso os embarques permaneçam interrompidos, parte da produção destinada ao exterior poderá ser redirecionada ao mercado doméstico. Esse movimento tende a elevar os estoques, aumentar despesas com armazenagem e logística e reduzir o poder de negociação dos frigoríficos.

O Itaú BBA avalia que o efeito deve ser mais forte no primeiro trimestre de 2027. Nesse período, o consumo interno costuma perder ritmo após as festas de fim de ano, criando uma combinação desfavorável entre maior oferta e demanda sazonalmente mais fraca.

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Por que importa para o agro

Para os produtores, uma queda no atacado pode reduzir a sustentação das cotações recebidas pelos frigoríficos e pressionar as margens da cadeia. O impacto, porém, dependerá do volume efetivamente redirecionado ao Brasil, da duração dos embargos e da capacidade das empresas de reorganizar contratos e destinos.

Santa Catarina tende a sentir mais os efeitos por sua forte participação nas exportações de carne de frango. No conjunto do país, o impacto pode ser limitado se não surgirem novos focos e se os mercados importadores retomarem as compras de forma gradual.

A redução no atacado também não garante queda imediata no varejo. Custos de distribuição, estoques, contratos e margens comerciais influenciam a formação do preço pago pelo consumidor.

Dados e contexto

  • Primeiro trimestre de 2027: período apontado como de maior risco para a pressão sobre as cotações.
  • Região mais exposta: Sul do Brasil, com maior concentração do efeito no atacado.
  • Estados e mercados afetados: Santa Catarina e países que suspenderem ou restringirem as compras do produto estadual.
  • Histórico recente: em 2024, um foco no Rio Grande do Sul não provocou queda relevante nos preços da carne de frango. Em 2025, restrições mais amplas e prolongadas contribuíram para perda de sustentação das cotações durante quatro meses.
  • Sanidade oficial: o Ministério da Agricultura e Pecuária acompanha a doença por meio dos programas de defesa sanitária animal e das estruturas estaduais de vigilância.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. A resposta rápida dos serviços veterinários é decisiva para conter a disseminação e acelerar a retirada de barreiras comerciais.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a duração dos embargos, novos diagnósticos, a velocidade de retomada das exportações e o comportamento dos estoques nos frigoríficos. Para produtores e empresas, o planejamento de alojamento, a gestão de caixa e a diversificação de destinos comerciais serão determinantes. Uma normalização rápida pode limitar o impacto; restrições prolongadas podem ampliar a pressão sobre preços e margens.

Fontes

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