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Noruega segue UE e veta carne do Brasil a partir de setembro

Noruega vai suspender importações de produtos de origem animal do Brasil em setembro, seguindo veto da União Europeia ligado ao uso de antimicrobianos na pecuária.

17 de agosto de 2026 4 min de leitura
Noruega segue UE e veta carne do Brasil a partir de setembro

A Noruega anunciou que vai deixar de importar carne e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026, seguindo o veto já definido pela União Europeia. A medida está ligada às regras sanitárias do bloco europeu sobre controle do uso de antimicrobianos na pecuária, e amplia o isolamento do Brasil em um mercado de alto valor agregado para proteínas animais.

O que aconteceu

A Autoridade Norueguesa de Segurança Alimentar (Mattilsynet) informou que o Brasil será retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o país. Com isso, remessas com certificado sanitário emitido em 3 de setembro ou depois deixam de ser aceitas na Noruega.

Embora não faça parte da União Europeia, a Noruega decidiu seguir integralmente as exigências sanitárias adotadas pelo bloco para produtos de origem animal. O foco está na falta de garantias oficiais sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária brasileira.

A restrição vale para carnes e derivados de proteína animal que hoje têm acesso ao mercado europeu, como carne bovina, de frango, de cavalo, pescado, mel e outros produtos de origem animal. Em junho, a UE já havia oficializado a exclusão do Brasil da sua lista de países conformes nessas regras, com início do veto também em 3 de setembro.

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Por que importa para o agro

O movimento da Noruega reforça a sinalização de que mercados com padrão sanitário elevado tendem a se alinhar às decisões da União Europeia. Para o produtor brasileiro, especialmente de carne bovina e de frango, isso aumenta a pressão por rastreabilidade, controle de medicamentos e transparência em toda a cadeia.

Mesmo não sendo um dos principais destinos em volume, a Noruega compõe o grupo de compradores que pagam prêmios por qualidade, sustentabilidade e conformidade sanitária. A perda simultânea de UE e Noruega reduz a diversificação de mercados, aumenta a dependência de Ásia e Oriente Médio e limita a capacidade de capturar preços mais altos em nichos de carne de maior valor agregado.

Dados e contexto

Segundo dados de comércio exterior compilados a partir de relatórios oficiais, a UE responde por quase US$ 2 bilhões ao ano em exportações brasileiras de carnes, somando bovina, de frango, de cavalo, pescado, mel e outros produtos de origem animal.

Em 2024, o Brasil figurava na lista europeia de países autorizados para:

Produto brasileiroSituação na UE a partir de 3/9/2026
Carne bovinaVetada
Carne de frangoVetada
Carne de cavaloVetada
TripasVetadas
PescadoVetado
MelVetado

A Noruega seguirá essa mesma lógica, suspendendo a entrada de produtos brasileiros com certificados sanitários emitidos após 2 de setembro, o que garante apenas a chegada das cargas já em trânsito.

Instituições como MAPA e Embrapa vêm debatendo atualização de normas, melhoria da vigilância e harmonização de protocolos de uso de antimicrobianos para atender exigências internacionais mais rígidas. No entanto, até agora o Brasil não apresentou às autoridades europeias e norueguesas garantias consideradas suficientes para manutenção na lista de países aptos a exportar.

A UE já indicou que a retomada das compras pode levar pelo menos dois ciclos de produção após eventuais mudanças regulatórias, o que significa um horizonte de até dois anos sem acesso pleno ao mercado europeu para carne brasileira.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o agro brasileiro precisa acompanhar de perto três frentes: negociações técnicas do MAPA com UE e Noruega, eventuais ajustes na legislação de uso de antimicrobianos e certificação sanitária, e a capacidade da indústria de carnes de realocar volumes para mercados alternativos sem derrubar preços internos. Quem investir em compliance sanitário, rastreabilidade e programas de redução de antimicrobianos tende a estar melhor posicionado para aproveitar a reabertura futura desses mercados.

Fontes

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