Tecnologia

Nova geração de biológicos avança no algodão com IA e manejo integrado

Agripedia prepara 20 novos produtos, com investimento de R$ 50 milhões, incluindo biológicos avançados e aplicações orientadas por inteligência artificial.

17 de outubro de 2026 4 min de leitura
Nova geração de biológicos avança no algodão com IA e manejo integrado

A indústria de insumos agrícolas prepara uma nova fase para os produtos biológicos, com moléculas e tecnologias mais sofisticadas para o controle de pragas e doenças. A Agripedia, braço de pesquisa e desenvolvimento da empresa, mantém um pipeline de 20 produtos e prevê investimento de aproximadamente R$ 50 milhões nos próximos anos.

A estratégia foi apresentada durante o Congresso Brasileiro do Algodão. Além dos biológicos, a empresa aposta em aplicações orientadas por inteligência artificial e em soluções combinadas com produtos químicos. O objetivo é ampliar a eficiência do manejo, reduzir custos operacionais e apoiar decisões mais precisas no campo.

O que aconteceu

Em entrevista ao AgFeed, Rogério Duarte, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, afirmou que o setor deve avançar para uma nova geração de biológicos. A proposta inclui tecnologias que vão além dos microrganismos tradicionalmente utilizados no controle de pragas, doenças e nematoides.

Entre as frentes avaliadas estão RNA de interferência (IRNA), micropeptídeos, feromônios e produtos desenvolvidos para uso conjunto com defensivos químicos. Essas soluções podem atuar em alvos específicos e complementar programas de manejo já utilizados pelos produtores de algodão.

A empresa também trabalha com ferramentas digitais para orientar a aplicação. A inteligência artificial pode cruzar informações de clima, histórico da área, monitoramento de pragas e estágio da cultura para melhorar o momento e a dose das operações.

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Por que importa para o agro

O algodão exige controle rigoroso de pragas, doenças e plantas daninhas. Falhas no manejo podem reduzir a produtividade, elevar o número de aplicações e acelerar a seleção de populações resistentes. A integração entre biológicos e químicos amplia as alternativas disponíveis ao produtor.

A combinação também responde a uma limitação prática do setor. O biológico isolado nem sempre substitui completamente o químico em todas as situações, enquanto o uso repetido de um mesmo mecanismo de ação aumenta o risco de resistência. A convivência entre tecnologias permite montar programas mais flexíveis, desde que haja recomendação técnica e acompanhamento de campo.

Para o produtor, o ganho potencial está na eficiência por hectare, na estabilidade do controle e na possibilidade de reduzir desperdícios. O resultado dependerá da qualidade do produto, da compatibilidade entre aplicações, das condições ambientais e da execução correta do manejo.

Dados e contexto

A expansão dos bioinsumos já aparece nos registros e nas iniciativas de pesquisa no país:

  • A Embrapa e o MAPA mantêm o aplicativo Bioinsumos, com informações sobre produtos registrados e suas indicações.
  • Levantamento da Embrapa aponta 786 produtos de controle de pragas e 747 inoculantes registrados no Brasil, considerando a base analisada.
  • Os inoculantes alcançam 44 culturas, com forte concentração na soja.
  • Segundo a ANPII, o mercado brasileiro comercializa cerca de 140 milhões de doses de inoculantes por ano.
  • O avanço de tecnologias como IRNA, micropeptídeos e feromônios amplia o escopo dos biológicos para além dos produtos microbiológicos convencionais.
No algodão, o movimento ocorre ao lado do desenvolvimento de novas cultivares, ferramentas de agricultura digital e produtos voltados ao controle de pragas relevantes, como o bicudo-do-algodoeiro.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar registros, resultados de ensaios independentes, compatibilidade em tanque e recomendações de uso. A oportunidade está em integrar biológicos, químicos, monitoramento e agricultura digital em um mesmo programa. O principal risco é adotar novidades sem validação local, sem controle de qualidade ou fora da janela adequada de aplicação.

Fontes

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