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OIA reduz previsão de açúcar no Centro-Sul para 2026/27

A OIA cortou a estimativa de produção de açúcar no Centro-Sul, citando chuvas, atraso na moagem e menor teor de açúcar na cana.

14 de outubro de 2026 4 min de leitura
OIA reduz previsão de açúcar no Centro-Sul para 2026/27

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) reduziu em 500 mil toneladas a estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na safra 2026/27. A projeção caiu para 38,1 milhões de toneladas, após chuvas intensas afetarem a colheita, a moagem e o teor de açúcar da cana.

O que aconteceu

A revisão considera os impactos climáticos registrados em setembro. O excesso de chuva interrompeu operações no campo e atrasou a entrada de matéria-prima nas usinas. Com menos dias efetivos de moagem, parte da cana deixou de ser processada dentro da janela ideal.

Além do atraso operacional, a OIA apontou redução no teor de açúcar da matéria-prima. A cana colhida em condições mais úmidas tende a apresentar menor concentração de sacarose, o que limita a fabricação de açúcar mesmo quando a disponibilidade de cana permanece elevada.

A nova projeção reforça um cenário de maior incerteza para o principal polo sucroenergético brasileiro. O Centro-Sul concentra a maior parcela da produção nacional e influencia diretamente as exportações, os preços internacionais e a oferta de etanol.

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Por que importa para o agro

A menor produção prevista reduz a oferta potencial de açúcar no mercado externo. O efeito pode sustentar as cotações internacionais, especialmente se outros países também enfrentarem problemas climáticos ou queda de produtividade. Para as usinas, o ambiente melhora a remuneração do açúcar, mas aumenta a necessidade de decisões rápidas sobre o destino da cana.

O mix entre açúcar e etanol ganha relevância. Quando os preços relativos mudam, as usinas podem direcionar mais matéria-prima para o biocombustível. Essa flexibilidade protege parte da margem industrial, mas também torna a oferta de açúcar mais sensível às condições de mercado e ao ritmo da colheita.

Para o produtor de cana, o impacto depende do modelo de comercialização e da remuneração definida no contrato. Uma oferta menor de açúcar pode favorecer o ambiente de preços, mas problemas de qualidade e perdas no campo reduzem o potencial de produtividade e de ATR por tonelada.

Dados e contexto

  • 38,1 milhões de toneladas: nova estimativa da OIA para o açúcar do Centro-Sul em 2026/27.
  • 500 mil toneladas: corte aplicado pela organização na previsão anterior.
  • 705,2 milhões de toneladas: estimativa da Conab para a produção brasileira de cana na safra 2026/27, conforme levantamento divulgado pela companhia.
  • 42,89 milhões de toneladas: projeção de produção nacional de açúcar apresentada pela Conab em levantamento citado no mercado.
  • 13,2%: alta na produção de etanol do Centro-Sul até agosto, segundo dados divulgados no mercado, enquanto a fabricação de açúcar recuou 10,7% no mesmo período.
A diferença entre a produção de cana e a de açúcar mostra que uma safra maior de matéria-prima não garante aumento do produto final. Clima, qualidade da cana, ritmo industrial e escolha do mix definem o resultado.

A Conab também indicou que a produção nacional de açúcar pode ficar abaixo da safra anterior, apesar da maior disponibilidade de cana. O cenário confirma a importância de acompanhar não apenas toneladas colhidas, mas também ATR, moagem acumulada e participação do etanol no mix das usinas.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar o volume de chuvas, a retomada da moagem e a qualidade da cana disponível no fim da safra. Também será necessário monitorar o mix das usinas, os preços do açúcar e do etanol e possíveis novas revisões da OIA, da Conab e de consultorias privadas. Uma recuperação operacional pode limitar o corte, mas novas perdas climáticas aumentariam a pressão sobre a oferta.

Fontes

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