Sustentabilidade

ONU projeta planeta acima de 1,5 °C e acende alerta para o agro

Novo relatório da ONU indica que o planeta deve ultrapassar 1,5 °C de aquecimento já na próxima década, pressionando produção agrícola e segurança alimentar.

03 de setembro de 2026 4 min de leitura
ONU projeta planeta acima de 1,5 °C e acende alerta para o agro

O novo relatório da ONU sobre clima aponta que o planeta deve ultrapassar de forma definitiva o limite de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais já na próxima década. A marca é o principal referencial do Acordo de Paris e funciona como linha de corte para impactos mais severos em ecossistemas, agricultura, recursos hídricos e saúde humana.

O que aconteceu

O documento, elaborado por organismos climáticos da ONU, indica que o aquecimento global de longo prazo está se aproximando rapidamente de 1,5 °C em relação à era pré-industrial. Em análises recentes, 2024 já apareceu como o primeiro ano com média anual em torno de 1,55 °C acima da base de 1850-1900, mostrando que o sistema climático entrou em zona crítica.

Segundo o relatório, mesmo cenários com ações rápidas de mitigação já a partir de 2025 não seriam suficientes para evitar a ultrapassagem temporária do limite de 1,5 °C nas próximas décadas. Para tentar trazer a temperatura de volta a esse patamar até 2100, seriam necessários cortes de 46% a 60% nas emissões globais até 2035, patamar muito acima do que os países assumiram em seus planos atuais.

Na prática, a ONU admite que o mundo fracassou em impedir o chamado “overshoot” de 1,5 °C e passa a discutir estratégias para reduzir danos e, depois, tentar reconduzir o aquecimento a patamares mais seguros. O tema deve dominar as próximas conferências climáticas, em especial a COP30, prevista para Belém.

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Por que importa para o agro

Um planeta mais quente amplia a frequência de ondas de calor, secas severas, chuvas extremas e eventos como El Niño forte. Para o produtor rural, isso significa maior volatilidade de rendimento, mais perdas por estresse hídrico e térmico, avanço de pragas e doenças e maior risco de quebra de safra em regiões chave.

Com o limite de 1,5 °C ultrapassado, aumentam as chances de impactos estruturais em zonas agrícolas, alterando áreas aptas para culturas como soja, milho, café e pecuária. O agro brasileiro, que hoje se beneficia de vantagens climáticas e grande oferta de terra, terá de investir mais em manejo adaptativo, tecnologia e seguro agrícola para se proteger.

Dados e contexto

Estudos recentes de organismos ligados à ONU e ao IPCC indicam:

  • 2024 foi registrado como o ano mais quente da série histórica, com cerca de 1,55 °C acima da média pré-industrial.
  • Estimativas de longo prazo apontam aquecimento atual em torno de 1,3 °C, com tendência de alta nas próximas décadas.
  • Cenários avaliados pelo IPCC mostram mais de 50% de chance de o mundo atingir ou exceder 1,5 °C entre 2021 e 2040.
  • Para manter o aumento da temperatura limitado a 1,5 °C até 2100, seriam necessários cortes de emissões superiores a 55–60% até 2035.
Esses números dialogam com projeções de impactos sobre agricultura e segurança alimentar já publicadas por FAO, Embrapa e outros centros de pesquisa. No Brasil, a Embrapa Clima Temperado e a Embrapa Agricultura Digital vêm alertando que o aumento da temperatura média e a maior variabilidade das chuvas podem reduzir produtividade de grãos, ampliar custos com irrigação e pressionar o zoneamento agrícola de risco climático.

Para o mercado, o quadro reforça a tendência de maior volatilidade de preços, necessidade de estoques reguladores e maior peso de políticas de seguro rural e crédito orientado à adaptação. Também aumenta a pressão internacional por redução de emissões ligadas ao desmatamento e à pecuária extensiva, tema sensível para a competitividade do agro brasileiro.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto a evolução das metas climáticas, o debate sobre emissões e as políticas de adaptação que serão definidas nas próximas COPs. O ambiente regulatório tende a ficar mais exigente, com maior cobrança por rastreabilidade, redução de carbono e proteção de florestas. Ao mesmo tempo, abre espaço para investimento em tecnologias de clima inteligente, manejo conservacionista, integração lavoura-pecuária-floresta e instrumentos de seguro e inovação financeira que reduzam riscos em um mundo acima de 1,5 °C.

Fontes

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