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Operação investiga usina sucroalcooleira em esquema de lavagem de dinheiro

Operação Crédito Oculto apura o uso de estruturas financeiras para ocultar donos de uma usina e viabilizar a compra de uma distribuidora de combustíveis.

24 de setembro de 2026 3 min de leitura
Operação investiga usina sucroalcooleira em esquema de lavagem de dinheiro

A Operação Crédito Oculto investiga o uso de estruturas financeiras para esconder os verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Segundo os investigadores, o mecanismo também teria sido usado para viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. Uma empresa financeira ligada às operações movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

O que aconteceu

A ação foi deflagrada pela Receita Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e por órgãos estaduais. A operação é um desdobramento da Carbono Oculto, que apura fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e irregularidades no mercado de combustíveis.

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, os investigados teriam utilizado fundos de investimento, contas-bolsão, certificados de depósito bancário (CDBs), fintechs e empresas de fachada. Essas estruturas dificultariam a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários finais dos negócios.

A investigação aponta que a estrutura financeira foi empregada inicialmente para ocultar o controle de uma usina sucroalcooleira. Depois, teria sido utilizada na compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.

Por que importa para o agro

Usinas de açúcar e etanol dependem de crédito, contratos agrícolas, fornecedores, transportadoras e compradores de combustível. A suspeita de uso de uma empresa do setor em um esquema de lavagem pode aumentar o risco de bloqueios judiciais, interrupção de pagamentos e revisão de contratos com produtores de cana.

O caso também amplia a pressão sobre a governança das empresas sucroenergéticas. Bancos, tradings, distribuidoras e fornecedores tendem a reforçar procedimentos de identificação de sócios, análise de origem dos recursos e verificação de vínculos entre empresas relacionadas.

Para o produtor, o principal risco é financeiro. Uma usina sob investigação pode enfrentar restrição de crédito, dificuldades operacionais ou mudanças no controle. Isso pode afetar a compra da cana, os prazos de pagamento e a continuidade de contratos de fornecimento.

Dados e contexto

  • R$ 11,6 bilhões: movimentação atribuída a uma empresa financeira usada nas operações investigadas entre 2021 e 2025.
  • Operação Crédito Oculto: ação voltada à apuração de lavagem de capitais, ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos.
  • Operação Carbono Oculto: investigação anterior sobre fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
  • Setores envolvidos: produção sucroalcooleira, distribuição de combustíveis e mercado financeiro.
  • Órgãos mobilizados: Receita Federal, Gaeco, Secretaria da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado e forças policiais.
A apuração ainda está em andamento. A movimentação financeira mencionada pelas autoridades representa o volume atribuído às operações investigadas, e não necessariamente prejuízo, faturamento ou lucro da usina.

O que observar daqui para frente

Produtores e fornecedores devem acompanhar decisões judiciais, eventuais bloqueios de ativos, mudanças societárias e comunicados sobre a operação da usina. Também é prudente revisar cláusulas de pagamento e garantias contratuais. O avanço da investigação pode revelar novos negócios, fundos e empresas ligados à cadeia de combustíveis.

Fontes

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