Sustentabilidade

Pará lidera focos de incêndio, e fumaça deixa ar de Santarém insalubre

Queimadas no Pará elevaram a concentração de fumaça em Santarém e ampliaram os riscos para a saúde, o campo e a logística regional.

19 de outubro de 2026 4 min de leitura
Pará lidera focos de incêndio, e fumaça deixa ar de Santarém insalubre

O Pará concentra o maior número de focos de calor do país, enquanto Santarém enfrenta níveis críticos de poluição provocados pela fumaça das queimadas. O problema afeta a saúde da população, reduz a visibilidade e cria riscos para atividades agropecuárias e para o transporte na região amazônica.

O que aconteceu

Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontaram 5.922 focos no Pará em outubro. Os registros se concentraram principalmente em municípios como São Félix do Xingu, Altamira, Itaituba e Portel, áreas com forte presença de atividades rurais e florestais.

A fumaça avançou até Santarém, no oeste do estado, carregada por correntes de vento e pela persistência do período seco. Segundo medições da plataforma IQAir, o índice de qualidade do ar chegou a 200 pontos, classificado como muito prejudicial à saúde. Em outro registro, o índice alcançou 221 pontos durante a madrugada.

O principal poluente identificado foi o material particulado fino, conhecido como PM2,5. A concentração chegou a 146 microgramas por metro cúbico, mais de 29 vezes acima da diretriz anual recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por que importa para o agro

A fumaça reduz a visibilidade em estradas, rios e aeroportos. Isso pode atrasar o transporte de grãos, animais, insumos e combustíveis. Em uma região dependente de rotas fluviais e rodoviárias, interrupções elevam custos e dificultam o cumprimento de contratos.

No campo, a combinação de estiagem, calor e vegetação seca aumenta o risco de incêndios acidentais ou fora de controle. O fogo pode atingir pastagens, lavouras, cercas, instalações e áreas de reserva. A fumaça também prejudica trabalhadores e animais, com maior risco de problemas respiratórios e queda de desempenho.

As queimadas associadas ao desmatamento agravam a perda de cobertura vegetal e comprometem a proteção do solo. A remoção da vegetação favorece erosão, reduz a retenção de água e aumenta a vulnerabilidade das propriedades no período seguinte de chuvas.

Dados e contexto

  • 5.922 focos de calor: registrados no Pará em outubro, segundo dados do Inpe.
  • 221 pontos no AQI: índice de qualidade do ar registrado em Santarém durante a madrugada.
  • 146 µg/m³ de PM2,5: concentração medida na cidade, acima da recomendação anual da OMS.
  • 6.272 atendimentos respiratórios: registrados em Santarém entre setembro e novembro de 2024, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde.
O Inpe alerta que foco de calor identificado por satélite não representa necessariamente um incêndio isolado. O dado pode incluir queimadas controladas, incêndios florestais e ocorrências repetidas na mesma área. Ainda assim, a concentração dos registros indica aumento da pressão sobre os territórios durante a estiagem.

Projetos de prevenção financiados pelo Fundo Amazônia apontam que incêndios comprometem a fertilidade do solo, a biodiversidade, linhas de transmissão, o tráfego aéreo e a segurança em estradas. O impacto ultrapassa os limites das propriedades e alcança toda a cadeia produtiva.

O que observar daqui para frente

Produtores devem acompanhar os alertas do Inpe, evitar o uso do fogo em dias secos e revisar aceiros, equipamentos e rotas de emergência. Também é necessário proteger trabalhadores e animais da fumaça, reduzir atividades ao ar livre nos horários críticos e comunicar focos rapidamente às autoridades. A evolução dependerá do retorno das chuvas, da fiscalização e da capacidade de controlar incêndios em áreas rurais e florestais.

Fontes

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