Pedidos de recuperação judicial no agro caem 20,7% no segundo trimestre
Agronegócio registrou 448 pedidos de recuperação judicial entre abril e junho, mas produtores rurais pessoas físicas ainda pressionam o indicador.
O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial entre abril e junho de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. O volume foi 20,7% menor que o observado no mesmo período de 2025, quando houve 565 solicitações. A queda reduz a pressão sobre a cadeia, mas ainda não indica uma recuperação ampla da saúde financeira do setor.
O que aconteceu
O resultado representa a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022. Também houve recuo na comparação com os três primeiros meses de 2026, quando foram contabilizados 474 pedidos. A redução trimestral foi de 5,5%.
O levantamento considera produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia do agronegócio. O indicador inclui atividades agrícolas, pecuárias e outros segmentos relacionados à produção e à comercialização rural.
Mato Grosso liderou o número de solicitações, com 107 casos. O estado tem forte exposição à produção de grãos e à pecuária, setores que enfrentam custos elevados, oscilações de preços e necessidade crescente de capital para financiar a operação.
Por que importa para o agro
A queda pode indicar melhora temporária no fluxo de caixa de parte dos produtores, maior entrada de receitas após a comercialização da safra ou avanço nas negociações diretas com credores. A sazonalidade também influencia o resultado, já que o segundo trimestre concentra períodos de recebimento em algumas cadeias agrícolas.
O recuo, porém, não elimina os riscos financeiros. A recuperação judicial continua sendo utilizada por produtores e empresas que não conseguem reorganizar dívidas apenas por meio de renegociações bancárias, alongamento de prazos ou venda de ativos. Para fornecedores de insumos, tradings e instituições financeiras, o indicador ajuda a medir o risco de inadimplência na cadeia.
Dados e contexto
- 448 pedidos foram registrados no segundo trimestre de 2026.
- O número caiu 20,7% ante os 565 pedidos do segundo trimestre de 2025.
- Em relação ao primeiro trimestre de 2026, a retração foi de 5,5%.
- Produtores rurais pessoas jurídicas tiveram queda de 34,2% nos pedidos na comparação anual.
- Pessoas físicas fizeram 214 solicitações no trimestre, segundo dados divulgados pela Serasa Experian.
- O cultivo de soja liderou por atividade, com 70 pedidos.
- A criação de bovinos apareceu na sequência, com 28 solicitações.
- Mato Grosso concentrou 107 casos, o maior volume entre os estados.
A redução entre empresas rurais foi mais intensa que entre produtores pessoas físicas. Esse movimento pode refletir renegociações corporativas, ajustes operacionais e menor uso do instrumento por companhias que conseguiram reestruturar passivos antes do agravamento da crise.
O que observar daqui para frente
Os próximos trimestres devem mostrar se a queda será sustentada ou apenas efeito sazonal. Produtores precisam acompanhar margem por atividade, custo do crédito, vencimentos concentrados e exposição a preços de commodities. Renegociações antecipadas, controle de caixa e diversificação de receitas podem reduzir a necessidade de medidas judiciais caso as condições de mercado voltem a piorar.
Fontes
Continue lendo

Agro após as urnas: crédito, segurança e previsibilidade serão decisivos
O próximo ciclo político deverá definir as condições de crédito, infraestrutura e segurança jurídica que orientarão o agro brasileiro.
TCU aprova alíquota de referência da CBS em 11,35% para 2027
Alíquota da CBS aprovada pelo TCU será enviada ao Senado e pode alterar o planejamento tributário de produtores e empresas do agronegócio.
Calor chega a 38 °C em quatro municípios da Bahia
Itapetinga, Correntina, Jaborandi e Cocos terão temperaturas acima da média entre quinta-feira e sábado.