Pescadoras brasileiras são reconhecidas como heroínas pela FAO
Joana Mousinho e Luena Pataxó foram escolhidas entre mais de 600 indicadas de 131 países por sua atuação na pesca artesanal.

As pescadoras artesanais Joana Rodrigues Mousinho, de Pernambuco, e Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, foram incluídas na lista das 100 Mulheres Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural. O reconhecimento destaca lideranças que fortalecem a segurança alimentar, a renda e a sustentabilidade em comunidades rurais.
O que aconteceu
As brasileiras foram selecionadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) após um processo que recebeu mais de 600 indicações de 131 países. A indicação foi feita pelo Ministério das Mulheres.
A cerimônia ocorreu em Roma, durante o Fórum Mundial da Alimentação. A iniciativa também marcou as celebrações do Dia Internacional da Mulher Rural e do Ano Internacional da Mulher Agricultora de 2026.
Joana Mousinho tem 70 anos e construiu sua trajetória na pesca artesanal em Pernambuco. Luena Pataxó, de 44 anos, preside a Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó, em Coroa Vermelha, no município baiano de Santa Cruz de Cabrália.
Por que importa para o agro
A homenagem amplia a visibilidade da pesca artesanal como parte dos sistemas agroalimentares. A atividade movimenta renda, garante alimentos e sustenta comunidades costeiras, ribeirinhas e indígenas, muitas vezes com baixa presença em políticas públicas e mercados formais.
O reconhecimento também reforça o papel das mulheres na produção, no beneficiamento, na comercialização e na organização comunitária. Para o agro, isso significa maior atenção a crédito, assistência técnica, regularização, infraestrutura de armazenamento e acesso a canais de venda.
A atuação de Luena Pataxó evidencia ainda a conexão entre produção, identidade cultural e conservação ambiental. Na pesca de pequena escala, a proteção dos territórios e dos recursos naturais é condição direta para a continuidade da atividade.
Dados e contexto
- Cerca de 90% das pessoas que dependem diretamente da pesca no Brasil atuam na pesca de pequena escala, segundo referência da FAO.
- As mulheres representam aproximadamente metade desse grupo, conforme estudo citado em publicação acadêmica sobre liderança feminina na pesca brasileira.
- Dados oficiais divulgados pelo governo indicam que 49% dos profissionais registrados na atividade pesqueira são mulheres.
- Aproximadamente 99,7% dos profissionais registrados atuam na pesca artesanal.
- O peixe é o principal produto comercializado para 87,7% dos trabalhadores registrados.
| Indicador | Número |
|---|---|
| Indicações recebidas pela FAO | Mais de 600 |
| Países participantes | 131 |
| Mulheres reconhecidas | 100 |
| Profissionais registrados que são mulheres | 49% |
Os números mostram que a pesca artesanal tem forte participação feminina, mas ainda enfrenta desafios de formalização, renda, infraestrutura e reconhecimento do trabalho realizado pelas mulheres fora da etapa de captura.
O que observar daqui pra frente
O principal ponto será verificar se a visibilidade internacional se transforma em políticas práticas para pescadoras e comunidades tradicionais. Crédito adequado, assistência técnica, acesso a mercados, segurança nos territórios e proteção ambiental podem ampliar a renda e a resiliência da cadeia. Sem essas medidas, a premiação corre o risco de permanecer apenas simbólica.
Fontes
- Canal Rural – Pescadoras brasileiras recebem título de heroínas em premiação da ONU
- Agência Gov – ONU elege duas brasileiras como heroínas do desenvolvimento agroalimentar
- SciELO – Women in fisheries: Leadership
- globorural.globo.com
- globorural.globo.com
- acessa.com
- rondoniaovivo.com
- correiobraziliense.com.br
- mixvale.com.br
- agenciabrasil.ebc.com.br
- opresenterural.com.br
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