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PIB do agronegócio deve encolher quase 8% em 2026

Projeção indica queda de 7,8% no PIB do agronegócio em 2026, com forte retração na agricultura e leve alta na pecuária.

31 de agosto de 2026 4 min de leitura
PIB do agronegócio deve encolher quase 8% em 2026

O Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro deve cair 7,8% em 2026, segundo projeção do Radar Macroeconômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). A retração será puxada pela agricultura, enquanto a pecuária e alguns elos da cadeia ainda crescem, mas não o bastante para compensar o tombo. A estimativa reforça um cenário mais apertado para renda, investimento e crédito no campo.

O que aconteceu

O estudo da Faesp projeta que o agronegócio movimentará cerca de R$ 3,13 trilhões em 2026, com participação próxima de 22,8% no PIB brasileiro. É uma perda relevante frente aos anos recentes, em que o agro vinha ampliando peso na economia nacional.

A agricultura deve registrar queda expressiva de 13,7% no PIB, refletindo combinação de preços mais baixos, margens comprimidas e ajustes de produção em várias culturas. O desempenho negativo no ramo agrícola pesa sobre toda a cadeia, da indústria de insumos à agroindústria.

Na direção oposta, a pecuária deve crescer 2,8% em 2026, apoiada em melhora do ciclo pecuário e avanços em exportações de proteínas. Segmentos ligados ao processamento e serviços também mostram alguma reação, mas o avanço é insuficiente para neutralizar a forte retração na agricultura, resultando no recuo agregado próximo de 8%.

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Por que importa para o agro

Uma queda dessa magnitude no PIB do agronegócio tende a pressionar a rentabilidade do produtor, principalmente na agricultura. Com margens mais estreitas, muitos podem adiar investimentos em tecnologia, mecanização e expansão de área, impactando produtividade futura e capacidade de competir com outros países.

Para a cadeia, o recuo significa menor ritmo de negócios em insumos, máquinas, logística e agroindústria, além de reduzir a contribuição do agro para o crescimento do PIB nacional. Isso pode afetar oferta de crédito, apetite de investidores e decisões de políticas públicas, num momento em que custos financeiros ainda são elevados e o mercado internacional segue volátil.

Dados e contexto

A projeção da Faesp se soma a outros alertas recentes de entidades do setor sobre desaceleração do agro em 2026. CNA, Cepea/Esalq-USP e Rabobank vêm apontando perda de fôlego após o forte crescimento de 2025, com papel relevante da queda de preços reais recebidos pelo produtor.

Alguns números que ajudam a ler o cenário:

Indicador 2026 (projeção)Valor / variação
PIB do agronegócio total**R$ 3,13 trilhões**
Participação no PIB Brasil**22,8%**
Variação do PIB do agro**-7,8%**
Agricultura (PIB)**-13,7%**
Pecuária (PIB)**+2,8%**

No primeiro trimestre de 2026, estimativas de Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA já apontavam retração de 2,01% no PIB do agronegócio, sinalizando mudança de rota após sequência de crescimento forte em 2025. O valor anual projetado de R$ 3,13 trilhões reforça essa inflexão.

Em paralelo, análises do Rabobank indicam que o PIB agrícola pode cair em meio a juros ainda elevados, riscos climáticos associados a El Niño e maior incerteza geopolítica. Esses fatores somam-se à pressão de custos e à acomodação dos preços das principais commodities após o pico recente.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto três pontos: evolução dos preços agrícolas, condições de crédito e clima na próxima safra. Ajustes de custo, gestão de risco de preços e diversificação de mercados se tornam centrais para preservar caixa em um ano de PIB menor. Ao mesmo tempo, investimentos seletivos em tecnologia e eficiência podem diferenciar quem apenas atravessa 2026 e quem sai mais competitivo quando o ciclo voltar a acelerar.

Fontes

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