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Plantio do trigo avança de forma desigual no Rio Grande do Sul

Plantio do trigo no RS avança de forma irregular entre regiões, com produtores cautelosos diante de menor atratividade econômica e clima ainda incerto.

19 de junho de 2026 4 min de leitura
Plantio do trigo avança de forma desigual no Rio Grande do Sul

O plantio do trigo no Rio Grande do Sul está em andamento, mas com avanço desigual entre as regiões produtoras, reflexo de dúvidas sobre área a ser semeada, custos elevados e expectativa de rentabilidade menor. Produtores avaliam com cautela se mantêm, reduzem ou migram áreas, enquanto o clima ainda representa risco para a definição da safra.

O que aconteceu

A semeadura começou de forma gradual, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para as principais cultivares indicadas ao Estado.[1][3] Em várias regiões, o produtor aproveitou a boa condição de solo após a colheita da soja para antecipar o plantio, mas sem acelerar o ritmo por causa da incerteza de mercado.[1][6]

Levantamentos estaduais indicam tendência de redução de área em relação a safras anteriores, ligada à menor atratividade econômica do cereal e à concorrência com outras culturas de inverno.[1][4] Em muitas propriedades, o trigo disputa espaço com aveia, canola e cobertura de solo, o que torna a decisão de plantio mais estratégica e menos automática.

Enquanto algumas regiões já avançaram com parcela relevante da área prevista, outras seguem em compasso de espera, aguardando melhor definição de preços, custos de insumos e sinais mais claros do clima para os próximos meses.[3][6]

Por que importa para o agro

A forma como o trigo será implantado no RS impacta diretamente a oferta nacional de grão de qualidade para moagem, já que o Estado é um dos principais produtores do país.[1] Menor área ou atraso no plantio podem reduzir a produção e aumentar a dependência de importações, em um cenário de câmbio e logística ainda voláteis.

Para o produtor, a conta é fina. Com custos de fertilizantes, defensivos e maquinário ainda elevados, a viabilidade do trigo depende de preços de venda, produtividade e risco climático. Decisões de reduzir área ou priorizar somente as áreas mais aptas tendem a concentrar o investimento em talhões de maior potencial, mas também podem limitar o volume total colhido.[4][7]

Dados e contexto

  • A semeadura iniciou alinhada ao Zarc, que define janelas de menor risco climático para o trigo no Estado.[1][3]
  • tendência de redução de área cultivada com trigo no RS, associada à menor expectativa de rentabilidade e substituição por outras culturas.[1][4]
  • Em cenário recente, estimativas de Emater/RS, Conab e IBGE apontam área de trigo acima de 1,1 milhão de hectares no Estado, com produtividade média superior a 3.200 kg/ha em boas safras.[2]
  • Estudos de consultorias indicam que o preço médio do trigo no mercado interno tem oscilado, com altas pontuais, mas ainda sem garantir conforto total na margem em propriedades com custo elevado por hectare.[7]
  • O clima recente tem favorecido o preparo de solo, mas períodos de tempo seco em algumas regiões atrapalharam a germinação nas primeiras áreas semeadas.[3][8]
Indicador (RS)Situação recente / tendência
Área de trigoTendência de queda frente a safras anteriores, com área ainda em definição[1][4]
Produtividade médiaEm boas safras, acima de **3.200 kg/ha** em médias estaduais[2]
Fator de decisãoRelação custo x preço, risco climático e disputa por área com outras culturas[1][4][6]

O que observar daqui pra frente

Nas próximas semanas, o foco estará na definição final da área plantada, na regularização das chuvas nas regiões mais secas e na evolução dos preços de trigo no mercado interno e externo. Produtores e indústrias devem monitorar projeções da Conab, Embrapa e Emater/RS para ajustar manejo, seguros e vendas antecipadas, buscando equilíbrio entre risco climático, custo de produção e oportunidade de preço na virada da safra.

Fontes

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