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Preços da soja despencam com avanço de acordos entre EUA e China

Cotações da soja caem no Brasil e em Chicago com perspectiva de retomada das vendas dos EUA para a China, travando negócios internos.

14 de maio de 2026 4 min de leitura
Preços da soja despencam com avanço de acordos entre EUA e China

A possível retomada de compras de soja dos Estados Unidos pela China derrubou as cotações em Chicago e pressionou o mercado físico no Brasil. A melhora no humor entre as duas maiores economias do mundo migrou demanda potencial do Brasil para os EUA, reduziu prêmios de exportação e travou negócios internos, com produtores segurando oferta à espera de oportunidades melhores.

O que aconteceu

As negociações entre EUA e China sinalizaram uma reaproximação comercial, com expectativa de novos volumes de soja americana sendo direcionados ao mercado chinês. O movimento levou a uma realização de lucros na Bolsa de Chicago (CBOT), com contratos futuros recuando de forma generalizada ao longo da sessão.

No Brasil, o efeito foi imediato. Exportadores reduziram indicações nos portos e o mercado interno acompanhou a queda externa, cortando de R$ 2 a R$ 3 por saca em diversas praças. Em alguns casos, apenas as regiões mais demandadas conseguiram manter cotações estáveis, mas com volume de negócios tímido.

O mercado físico ficou travado. Compradores recuaram nas ofertas e produtores evitaram vender na baixa, depois de alguns dias de cotações mais firmes. Com a referência de Chicago em queda e prêmios pressionados, indústrias e tradings optaram por atuar de forma defensiva, aguardando novos desdobramentos nas conversas entre EUA e China.

Por que importa para o agro

A volta da China ao mercado americano reduz o protagonismo do Brasil nas exportações de curto prazo, o que tende a enfraquecer o poder de barganha do produtor brasileiro. Com mais oferta global disponível fora do país, compradores têm maior espaço para pressionar preços nos portos e no interior.

Para quem ainda tem grande volume da safra para negociar, o cenário exige gestão cuidadosa. A combinação de Chicago em baixa, prêmios menores e câmbio mais fraco limita as janelas de venda. Ao mesmo tempo, qualquer frustração na safra dos EUA ou mudança no ritmo de compras da China pode abrir novas oportunidades de preço.

Dados e contexto

A Conab estima a produção brasileira de soja 2024/25 em torno de 150 milhões de toneladas, mantendo o país como maior produtor global. Já o USDA projeta a safra americana em cerca de 115–116 milhões de toneladas, com estoques finais mais folgados em relação à temporada anterior.

No mercado futuro, o impacto foi direto sobre os contratos mais líquidos em Chicago, com ajustes negativos em um dia de forte realização. Ao mesmo tempo, o dólar oscilou levemente frente ao real, reduzindo parte do suporte cambial às cotações internas.

Algumas referências recentes de mercado físico mostram o efeito da pressão externa sobre as principais praças pesquisadas por consultorias privadas:

PraçaPreço anterior (R$/saca)Preço atual (R$/saca)

| Passo Fundo (RS) | 135,00 | 135,00 | | Cascavel (PR) | 136,00 | 134,00 | | Rondonópolis (MT) | 127,00 | 126,00 | | Dourados (MS) | 127,50 | 125,50 | | Rio Verde (GO) | 128,00 | 125,00 | | Paranaguá (PR) | 142,00 | 140,00 | | Rio Grande (RS) | 142,50 | 140,50 |

Para exportação, o Brasil segue competitivo, mas com margens mais apertadas. Em períodos anteriores, durante fases de tensão comercial entre EUA e China, o país concentrou a maior parte das compras chinesas e viu os prêmios de exportação dispararem. Agora, o movimento é inverso: maior espaço para o produto americano e ajuste dos prêmios brasileiros.

Instituições como USDA e Conab acompanham de perto a relação entre estoques globais e demanda chinesa. A China continua como o principal destino da soja brasileira, respondendo por mais de 70% das exportações do grão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes de mercado devem monitorar três pontos: evolução concreta dos acordos comerciais entre EUA e China, novas projeções de oferta e demanda nos relatórios do USDA e da Conab, e o comportamento do câmbio. Qualquer mudança no apetite de compra da China, em problemas climáticos na safra americana ou em oscilações fortes do dólar pode reabrir janelas de fixação mais interessantes, exigindo agilidade na gestão de vendas e uso de ferramentas de proteção de preços.

Fontes

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