Tecnologia

Presidente da Microsoft vê IA mudando gestão e trabalho no campo

Brad Smith afirma que a adoção da inteligência artificial exige nova forma de gestão, qualificação de pessoas e revisão de processos – também no agronegócio.

15 de maio de 2026 4 min de leitura
Presidente da Microsoft vê IA mudando gestão e trabalho no campo

O presidente da Microsoft, Brad Smith, afirmou que a adoção em massa da inteligência artificial (IA) vai exigir mudanças profundas na forma de organizar o trabalho e gerir empresas. Para ele, o ganho de produtividade só aparece quando tecnologia, qualificação de pessoas e revisão de processos caminham juntos, algo que impacta diretamente cadeias intensivas em dados, como o agronegócio.

O que aconteceu

Em entrevista recente, Brad Smith destacou que a IA já está alterando a rotina de equipes em vários setores, mas que muitas empresas ainda tratam a tecnologia apenas como ferramenta adicional. Segundo ele, esse olhar é limitado: a IA vem para redefinir tarefas, funções e processos decisórios, indo além da simples automação.

O executivo defende que gestores terão de redistribuir atividades entre pessoas e sistemas, com foco em tarefas de maior valor agregado para os profissionais. Isso inclui redesenhar cargos, atualizar políticas internas e revisar rotinas de treinamento para que os times saibam trabalhar com modelos de IA generativa e analítica.

Smith também ressaltou que governos e empresas precisam construir marcos de governança para uso responsável da IA, com regras claras de transparência, segurança de dados e responsabilização. Para ele, quem combinar inovação tecnológica com boas práticas regulatórias tende a ganhar competitividade.

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Por que importa para o agro

O agro brasileiro já usa tecnologias digitais em maquinário, clima e gestão, mas a IA amplia esse salto. Ela pode apoiar decisões em tempo real sobre plantio, pulverização, irrigação, logística e crédito rural, cruzando dados de clima, solo, mercado e histórico produtivo que hoje muitas vezes ficam subutilizados.

O ponto levantado por Brad Smith é chave para o campo: não basta comprar software ou sensor. Produtor, cooperativa e agroindústria terão de rever a forma de trabalhar, treinar equipes, integrar dados e definir quem decide o quê com apoio da IA. Sem essa mudança de gestão, o investimento em tecnologia tende a render menos do que poderia.

Dados e contexto

Estudos da Embrapa mostram que propriedades com maior nível de digitalização conseguem reduzir custos e perdas, especialmente em insumos como fertilizantes e defensivos. A IA entra como próxima camada dessa digitalização, automatizando análise de dados e sugerindo decisões mais precisas.

Segundo levantamento da FGVcia (2024), o Brasil já soma mais de 460 milhões de dispositivos digitais ativos (computadores, tablets e smartphones), o que cria base para soluções em nuvem e aplicativos de IA chegarem também ao meio rural, via celulares e plataformas web.

No agro, a Embrapa desenvolve modelos de IA para previsão de pragas, recomendação de adubação e análise de imagens de satélite, enquanto empresas privadas oferecem sistemas para monitorar lavouras, gado e máquinas em tempo real. A tendência é que essas soluções passem a conversar entre si em ecossistemas de dados mais integrados.

A transição, porém, exige gente preparada. O IBGE aponta que a escolaridade média no meio rural ainda é inferior à urbana, o que reforça a necessidade de programas de capacitação técnica. Cooperativas, revendas, Senar e universidades terão papel central em formar operadores, técnicos e gestores capazes de usar IA no dia a dia da fazenda.

Para o produtor, o recado é claro: IA não é só robô ou chat; é uma nova lógica de gestão. Isso inclui definir indicadores, registrar dados com disciplina, adotar softwares de gestão rural e usar análises geradas por IA para planejar safra, compra de insumos, venda e mitigação de riscos climáticos e de mercado.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos anos, o diferencial competitivo tende a migrar de quem tem mais área ou máquinas para quem combina dados, IA e gestão eficiente. Produtores e empresas do agro que começarem logo a organizar informações, qualificar equipes e testar soluções de IA terão vantagem na redução de custos, acesso a crédito e atendimento a exigências de sustentabilidade. Quem atrasar essa adaptação pode perder margem e mercado em um cenário de competição crescente.

Fontes

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