Tecnologia

Primeiro biofungicida 100% brasileiro abre nova frente no controle de doenças da soja

Novo biofungicida à base de metabólitos promete reforçar o manejo de antracnose e mancha-alvo na soja e reduzir a dependência de fungicidas químicos.

24 de agosto de 2026 4 min de leitura
Primeiro biofungicida 100% brasileiro abre nova frente no controle de doenças da soja

Um novo biofungicida desenvolvido no Brasil, 100% à base de metabólitos, foi registrado para o manejo de antracnose e mancha‑alvo na soja. A tecnologia combina cerca de 40 compostos produzidos por microrganismos e promete reduzir a dependência de fungicidas químicos, ampliando o leque de ferramentas no controle de doenças de alto impacto econômico.

O que aconteceu

Após cinco anos de pesquisa, uma empresa brasileira obteve o registro do primeiro biofungicida formulado apenas com metabólitos, sem a presença de microrganismos vivos. O produto foi desenvolvido especificamente para atuar sobre patógenos importantes da soja, como Colletotrichum e Corynespora, que causam antracnose e mancha‑alvo.

A formulação reúne um consórcio de aproximadamente 40 metabólitos com diferentes modos de ação. A proposta é oferecer proteção preventiva e complementar o manejo químico tradicional, reduzindo pressão de seleção por resistência e ampliando a sustentabilidade das aplicações.

O produto passou por testes de campo em diferentes regiões produtoras, com foco em ambientes de alta pressão de doença. Os ensaios avaliaram redução de severidade, impacto em produtividade e compatibilidade com fungicidas sintéticos já utilizados pelo produtor.

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Por que importa para o agro

Doenças como antracnose e mancha‑alvo estão entre as principais causas de perda de produtividade na soja, especialmente em ambientes de alta umidade. Em muitas áreas, produtores relatam queda de eficiência de fungicidas químicos devido à resistência de patógenos, o que aumenta custo e risco de falha de controle.

Biofungicidas baseados em metabólitos surgem como ferramenta adicional dentro do manejo integrado de doenças. A possibilidade de combinar o produto com fungicidas convencionais, ajustando doses e épocas de aplicação, pode ajudar a prolongar a vida útil das moléculas químicas, além de atender exigências crescentes de mercados importadores por menor resíduo em grãos.

Dados e contexto

  • A Conab projeta a produção brasileira de grãos acima de 350 milhões de toneladas, com a soja respondendo por mais de um terço desse volume.
  • Estudos da Embrapa indicam que doenças fúngicas podem tirar de 10% a 30% da produtividade da soja em anos de alta pressão, quando o manejo é inadequado.
  • O Ministério da Agricultura aponta crescimento acelerado do mercado de bioinsumos, com dezenas de novos registros de produtos biológicos por ano, incluindo fungicidas microbianos e extratos naturais.
  • Diferente de biológicos à base de microrganismos vivos, metabólitos tendem a ter maior estabilidade em armazenamento e transporte, o que reduz perdas logísticas.
  • Mercados internacionais de soja, como União Europeia e Ásia, reforçam barreiras técnicas relacionadas a resíduos de agrotóxicos, o que aumenta o interesse por tecnologias com menor impacto ambiental.
IndicadorReferência aproximada
Produção de grãos Brasil (Conab)> 353 milhões t/safra
Perda potencial por doenças na soja10% a 30% da produtividade
Número de metabólitos no novo biofungicida~40 compostos

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar como o biofungicida se comporta em diferentes regiões, calendários de plantio e níveis de pressão de doença, bem como o custo por hectare em comparação ao manejo exclusivamente químico. O ponto central será entender onde o produto encaixa melhor no programa de pulverizações, quais resultados entrega em produtividade e como contribui para reduzir risco de resistência, mantendo competitividade do soja brasileiro em mercados mais exigentes.

Fontes

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