Mercado

Produção de grãos do Brasil já supera meta global projetada pela FAO para 2050

Volume de grãos colhido no Brasil em 2023/24 já ultrapassa, sozinho, o aumento de produção que a FAO projetava para o mundo inteiro até 2050.

19 de junho de 2026 4 min de leitura
Produção de grãos do Brasil já supera meta global projetada pela FAO para 2050

A produção brasileira de grãos já ultrapassa, sozinha, o volume adicional que a FAO projetava como necessário para o mundo inteiro até 2050. A marca consolida o Brasil como peça central na segurança alimentar global e reacende o debate sobre tecnologia, sustentabilidade e infraestrutura para sustentar esse avanço.[2][6]

O que aconteceu

Em evento durante a Agrishow, o coordenador do Programa de Desenvolvimento de Sistemas Agropecuários da ONU (FAO), Alan Bojanic, destacou que o Brasil já cumpriu a meta de crescer 70% na produção de alimentos até 2050, prevista em estudos da organização.[1][2][6]

Segundo Bojanic, o crescimento da agricultura brasileira nas últimas décadas, puxado por grãos como soja, milho, trigo e arroz, antecipou em anos o objetivo global de aumento de oferta de alimentos. Ele enfatizou que o país se tornou protagonista na tarefa de alimentar uma população mundial projetada em cerca de 10 bilhões de pessoas em meados do século.[2][3]

O avanço brasileiro combinou expansão moderada de área com forte salto de produtividade, resultado de pesquisa, genética, manejo e correção de solos. Estudos indicam que o incremento de produtividade de grãos no Brasil foi de 2,24% ao ano entre 1961 e 2014, acima da média mundial.[2]

Imagem

Por que importa para o agro

Para o produtor, o recado é claro: o Brasil já está no centro da oferta global e tende a ser ainda mais pressionado por demanda externa. Isso significa mais oportunidades de exportação, mas também maior sensibilidade a preços internacionais, câmbio e barreiras comerciais.[5][8]

Ao mesmo tempo, o protagonismo cobra contrapartidas. A FAO e outros organismos reforçam que o crescimento daqui em diante terá de vir, principalmente, por ganhos de produtividade, uso eficiente de insumos e baixa emissão de carbono, e não por abertura de novas áreas. Quem investir em tecnologia, manejo de precisão e práticas sustentáveis tende a capturar melhor esses mercados.[2][3][8]

Dados e contexto

  • A FAO projeta que, entre 2010 e 2050, a produção global de alimentos precisa crescer cerca de 70% para atender a demanda.[2][10]
  • Estimativas indicam que o aumento viria em 90% por produtividade e apenas 10% por expansão de área, reforçando o papel da tecnologia.[3]
  • Entre 1961 e 2014, a produtividade dos principais grãos no mundo cresceu em média 1,83% ao ano; no Brasil, o avanço foi maior, 2,24% ao ano.[2]
  • Em cenários até 2050, estudos brasileiros projetam que a produção de grãos pode crescer mais de 50% por período de 20 anos, com expansão de área cada vez menor.[4]
  • Relatórios FAO/OCDE mostram que o Brasil já responde por cerca de 8% da produção mundial de grãos (milho, trigo, arroz e cereais secundários).[5]
  • A ONU estima que a população mundial pode crescer até 35% até 2050, o que exige duplicar a produção agrícola global em alguns cenários.[10]
IndicadorNúmero aproximado
Aumento necessário de alimentos até 2050 (FAO)**+70%**[2][10]
Crescimento médio de produtividade global (1961–2014)**1,83% ao ano**[2]
Crescimento médio de produtividade de grãos no Brasil**2,24% ao ano**[2]
Participação do Brasil na produção mundial de grãos**≈8%**[5]

O que observar daqui pra frente

Para o agro brasileiro, o desafio agora é consolidar esse protagonismo sem perder competitividade por gargalos internos. Infraestrutura logística, crédito para tecnologia, certificações ambientais e rastreabilidade serão decisivos para manter mercados, agregar valor e responder à pressão por produção mais limpa. Quem acompanhar essa agenda tende a transformar a liderança em grãos em vantagem duradoura para a fazenda e para toda a cadeia.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo