Produção de milho do Brasil deve chegar a 141,3 milhões de toneladas
Safra de milho projetada em 141,3 milhões de toneladas redefine oferta interna, etanol de milho e posição do Brasil no comércio global.
A produção de milho do Brasil na soma das três safras deve alcançar 141,3 milhões de toneladas, segundo analistas ouvidos pelo Canal Rural, consolidando o país entre os maiores produtores globais e ampliando a oferta para ração animal, indústria e etanol. O volume redefine o balanço interno de oferta e demanda, com reflexos diretos em preços, exportações e na competitividade do etanol de milho frente à gasolina e ao etanol de cana.
O que aconteceu
A projeção de 141,3 milhões de toneladas considera o desempenho da safra verão, a recuperação parcial da segunda safra e a consolidação da terceira, com ajustes para perdas regionais causadas por clima irregular.[1] A avaliação destaca que, apesar de problemas pontuais de estiagem e excesso de chuvas em algumas áreas, o avanço tecnológico em sementes, manejo e correção de solo sustentou produtividades elevadas em importantes polos de produção.[1]
O mercado acompanha a combinação de boa oferta interna com demanda firme da indústria de proteína animal e das usinas de etanol de milho, especialmente em estados como Mato Grosso e Goiás.[1] A expansão do parque industrial de etanol e DDG (farelo de milho para ração) aumenta a competição pelo grão e tende a reduzir a dependência de exportações em alguns momentos da safra.[1]
Há expectativa de manutenção do Brasil como um dos principais fornecedores globais, competindo diretamente com Estados Unidos e Argentina nas vendas externas. A definição da safra dos concorrentes no Hemisfério Norte e o câmbio serão decisivos para o ritmo de exportações brasileiras ao longo do ano.[1]
Por que importa para o agro
Para o produtor, uma safra robusta de 141,3 milhões de toneladas significa maior oferta e pressão de baixa sobre os preços em regiões de forte produção, principalmente na colheita da segunda safra. Ao mesmo tempo, a demanda aquecida de exportadores, cooperativas, fábricas de ração e usinas de etanol ajuda a dar equilíbrio ao mercado e pode reduzir a volatilidade de preços ao longo do ano.[1]
A cadeia de proteína animal se beneficia de custos potencialmente menores de ração, melhorando margens em suínos, aves e bovinos confinados. Já as indústrias de etanol de milho ganham previsibilidade de oferta, favorecendo contratos de longo prazo e investimentos em novas plantas. Em contrapartida, produtores em regiões distantes de portos ou indústrias podem enfrentar bases negativas mais fortes, reforçando a importância do planejamento logístico e comercial.
Dados e contexto
Segundo a Conab, o Brasil ultrapassou a marca de 130 milhões de toneladas de milho nas últimas safras, com forte participação da segunda safra, que hoje responde pela maior parte da produção nacional. Em 2023/24, o USDA projeta o Brasil entre os líderes globais, junto a Estados Unidos e China, tanto em produção quanto em exportação de milho.
A demanda doméstica cresce impulsionada por:
- Expansão do etanol de milho em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
- Aumento da produção de carnes de frango e suínos, grandes consumidores de ração.
- Maior uso industrial do grão em amidos e derivados.
| Indicador | Estimativa / Situação recente |
|---|
| Produção total de milho BR | 141,3 mi t (projeção Canal Rural)[1] | | Produção recente (Conab) | acima de 130 mi t em safras recentes | | Papel da 2ª safra | Responde pela maior parte do volume nacional | | Principais destinos do milho BR | China, União Europeia, Oriente Médio, América Latina |
Com a evolução de híbridos mais produtivos e tolerantes a estresses, Embrapa e empresas privadas têm puxado ganhos de produtividade, reduzindo a dependência exclusiva de área plantada para crescimento da produção. A melhoria da gestão de fertilidade de solo, plantio direto e manejo de pragas e doenças também explica a capacidade de o país sustentar produções acima de 140 milhões de toneladas.
O que observar daqui pra frente
Produtores e agentes da cadeia devem acompanhar a consolidação da segunda e terceira safra, a evolução climática em regiões chave, o ritmo de exportações e a demanda das usinas de etanol. Câmbio, cenários de juros e estoques globais de milho vão determinar o espaço para recuperação ou queda adicional dos preços, abrindo oportunidades para travamento antecipado, uso de ferramentas de proteção de preço e ajustes de área para a próxima temporada.
Fontes
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