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Produtor segura venda de café mesmo com expectativa de safra recorde

Cafeicultores travam negócios diante de preços em queda e dúvidas sobre safra recorde em 2026, mesmo com projeções otimistas para a colheita.

22 de maio de 2026 4 min de leitura
Produtor segura venda de café mesmo com expectativa de safra recorde

Cafeicultores, principalmente de arábica em Minas Gerais, estão segurando as vendas neste início de colheita de 2026. Mesmo com projeções de safra recorde, os produtores não acreditam que o volume vá superar 2020 e consideram os preços atuais baixos para fechar negócios.

O que aconteceu

A colheita de café arábica começou em ritmo ainda lento nas principais regiões produtoras de Minas Gerais. Negócios físicos seguem travados, com muitos produtores optando por estocar o grão e esperar melhores oportunidades de preço.

No mercado futuro, houve recuo nas cotações em Nova York e queda no dólar, pressionando os valores em reais. Isso reduziu a atratividade para novas vendas, especialmente para agricultores que vinham de custos elevados com fertilizantes, defensivos e mão de obra.

Cooperativas e traders relatam que o volume de café efetivamente comercializado até agora é menor que em anos anteriores na mesma fase da safra. Muitos produtores já haviam fixado parte da produção antecipadamente e agora evitam avançar em novas posições com o mercado em baixa.

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Por que importa para o agro

A retenção de oferta neste início de colheita pode reduzir a liquidez no mercado interno e limitar o fluxo de caixa das propriedades. Produtor com caixa apertado tende a alongar pagamentos, reduzir investimentos em manejo e postergar compras de insumos para a próxima safra.

Para a cadeia, o travamento das vendas cria risco de concentração de oferta mais à frente, quando mais produtores decidirem vender ao mesmo tempo. Isso pode intensificar a volatilidade de preços, afetar margens de cooperativas, indústrias e exportadores, além de complicar a formação de preço para contratos futuros.

Dados e contexto

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Segundo a Conab, a produção total de café (arábica + robusta) em 2020 superou 63 milhões de sacas, com safra de arábica considerada recorde em ano de bienalidade positiva.

Para 2026, estimativas preliminares de mercado apontam nova safra robusta, também em ano de bienalidade favorável ao arábica. Porém, produtores em Minas relatam perdas localizadas com clima irregular, excesso de calor e chuvas mal distribuídas durante o enchimento de grãos.

Em relatórios recentes, o USDA indica que o Brasil deve seguir como principal fornecedor global, enquanto outros grandes produtores, como Colômbia e América Central, enfrentam desafios climáticos e de produtividade. Mesmo assim, o mercado futuro reage mais às expectativas de oferta do que à confirmação de safra.

Custos de produção seguem em patamar elevado em relação ao período pré-pandemia. Estudos da Embrapa Café mostram que adubação, defensivos e mão de obra representam a maior parte do custo operacional, tornando o produtor mais sensível a quedas de preço. Em cenários de margens apertadas, a estratégia de segurar o café e apostar em valorização futura ganha força.

IndicadorReferência aproximada

| Produção Brasil 2020 (Conab) | >63 milhões de sacas | | Participação do Brasil nas exportações mundiais (USDA) | ~35% | | Peso de insumos nos custos (Embrapa Café) | >50% do custo operacional |

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar de perto o avanço da colheita, os relatórios oficiais de safra da Conab e o comportamento das cotações em Nova York combinado com o câmbio. Se a safra confirmar volumes elevados e os produtores seguirem segurando oferta, a pressão pode recair sobre preços mais à frente, exigindo atenção redobrada à gestão de risco, uso de travas, contratos futuros e planejamento de caixa para atravessar períodos de maior volatilidade.

Fontes

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