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Produtores de lichia diversificam produtos para reduzir perdas

Produtores de lichia ampliam variedades e investem em derivados para prolongar a oferta, reduzir desperdícios e aumentar o valor da fruta.

11 de outubro de 2026 3 min de leitura
Produtores de lichia diversificam produtos para reduzir perdas

Produtores de lichia do interior de São Paulo estão ampliando as variedades cultivadas e criando derivados para reduzir perdas na pós-colheita. A estratégia prolonga a oferta da fruta e aumenta o valor obtido por quilo produzido.

O que aconteceu

O produtor Ricardo Pinto cultiva variedades precoces, médias e tardias. Com calendários diferentes de maturação, a propriedade distribui melhor a colheita e evita concentrar todo o volume em um curto período.

A fruta também passou a ser comercializada em formatos além do consumo in natura. Entre os produtos desenvolvidos estão lichia congelada, desidratada, liofilizada e aguardente. Ao todo, a propriedade oferece nove opções derivadas da cultura.

O manejo do pomar inclui a poda após a colheita. Segundo o gerente de produção Emerson Brezer, a prática ajuda a manter a saúde das plantas e favorece a produção nos ciclos seguintes. A florada também é aproveitada na produção de mel de lichia.

Por que importa para o agro

A lichia tem janela de comercialização curta e exige cuidados desde a colheita. Como é um fruto não climatérico, não amadurece depois de retirado da planta. O resfriamento rápido é necessário para preservar a aparência e a qualidade, segundo informações técnicas divulgadas pela Universidade de São Paulo.

A diversificação reduz a dependência do mercado de fruta fresca. Produtos congelados, secos ou liofilizados podem ser armazenados por mais tempo, alcançar novos canais de venda e diminuir o descarte quando o volume colhido supera a demanda imediata.

Para o produtor, a agroindustrialização também cria oportunidades de margem. O processamento, porém, exige investimento em equipamentos, controle sanitário, embalagem, rotulagem e canais comerciais adequados.

Dados e contexto

  • São Paulo lidera a produção nacional de lichia, segundo dados do IBGE e informações do governo estadual.
  • Na safra 2023/24, Itaí foi apontado como o maior município produtor do estado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA).
  • A colheita costuma ficar concentrada em cerca de dois meses.
  • A vida útil da fruta pode ser de aproximadamente cinco a sete dias em condições comuns, conforme referências do setor.
  • Estimativas da cadeia indicam que até 30% da produção pode ser descartada sem aproveitamento industrial.
  • A Cadeia Produtiva Local da lichia reúne 18 municípios do Alto Vale do Paranapanema.
A liofilização remove a água por congelamento e ajuda a conservar características do alimento. Já a desidratação, o congelamento e a fabricação de bebidas permitem direcionar diferentes padrões de fruta para mercados distintos.

O que observar daqui pra frente

O avanço da cultura dependerá da combinação entre variedades com diferentes épocas de colheita, manejo adequado, refrigeração e processamento. A expansão dos derivados pode reduzir perdas, mas exige padronização, escala e acesso a mercados. Cooperativas, assistência técnica e políticas de apoio à agroindústria serão decisivas para transformar excedentes em receita.

Fontes

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