Tecnologia

Projeto da Embrapa leva tecnologia digital a mais de 5 milhões de produtores

Iniciativa da Embrapa quer democratizar tecnologias digitais e assistência técnica para pequenos e médios produtores, com foco em inclusão e competitividade.

26 de junho de 2026 5 min de leitura
Projeto da Embrapa leva tecnologia digital a mais de 5 milhões de produtores

A Embrapa está estruturando um projeto para ampliar o acesso à agricultura digital a mais de 5 milhões de produtores rurais, com foco em pequenos e médios que hoje têm pouca assistência técnica e baixa conectividade. A iniciativa prevê unidades-piloto em diferentes regiões do país, combinando hardware, software e internet no campo para acelerar a adoção de ferramentas digitais e aumentar a competitividade.

O que aconteceu

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, coordena um projeto de transformação digital no campo voltado principalmente a pequenos e médios produtores, que representam a maior parte das propriedades, mas têm menor capacidade de investimento e acesso à informação.[1] A ideia é levar soluções como sensoriamento remoto, automação, rastreabilidade e inteligência artificial para esse público, hoje pouco atendido pelos serviços de consultoria privados.[1]

Um dos pilares é a implantação de Distritos Agro Tecnológicos (DATs), sistemas integrados de hardware, software e conectividade instalados em polos regionais.[1] Estão previstas 10 unidades, distribuídas nas cinco regiões do país, com destaque para o Sudeste, que terá seis DATs, sendo cinco em São Paulo e um em Minas Gerais.[1] Esses centros funcionam como vitrines e bases de suporte, onde produtores podem testar tecnologias, receber capacitação e acessar serviços digitais.

O projeto se apoia na experiência de iniciativas como o Semear Digital, que já atua com inclusão digital rural e conectividade em propriedades, conectando tratores, sensores e estruturas produtivas por meio de redes Wi-Fi locais.[4][8] Em paralelo, a Embrapa vem desenvolvendo ações de inclusão digital com parceiros do Cone Sul, em um piloto voltado a pequenos e médios produtores, para adaptar e escalar modelos de transformação digital sustentável.[6]

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Por que importa para o agro

A principal barreira para a agricultura digital no Brasil não é só a oferta de tecnologia, mas a falta de assistência técnica e conectividade para a base da pirâmide produtiva.[1][5] Há milhões de agricultores que ainda operam com baixa digitalização, perdendo eficiência em manejo, compras, vendas e gestão de risco. Ao levar infraestrutura, ferramentas e suporte técnico para essa faixa, o projeto da Embrapa pode reduzir a distância tecnológica entre grandes e pequenos.

Para o produtor, o impacto é direto em custo, produtividade e acesso a mercados. Pesquisas indicam que cerca de 40% dos produtores brasileiros já usam algum recurso de agricultura digital para operações de compra e venda, e 84% utilizam pelo menos uma ferramenta digital no apoio à produção.[5] Porém, muitos fazem isso de forma fragmentada e sem integração de dados. Com DATs e inclusão digital estruturada, a tendência é ampliar o uso de soluções avançadas, como análise de dados em tempo real, monitoramento remoto e rastreabilidade, com potencial de melhorar margens e abrir portas para mercados mais exigentes.

Dados e contexto

  • O Brasil tem cerca de 5 milhões de produtores rurais, dos quais apenas 1 milhão teria hoje condições plenas de contratar consultorias e assimilar novas tecnologias, segundo a Embrapa.[1]
  • Os demais 4 milhões são majoritariamente pequenos e médios, com menor acesso a crédito, assistência e infraestrutura de telecomunicações.[1]
  • A Embrapa vem reportando restrição orçamentária: o orçamento de pesquisa caiu para cerca de 15% do nível de dez anos atrás, em torno de R$ 160 milhões, valor que a direção busca elevar para R$ 500 milhões.[1]
  • Em pesquisa sobre agricultura digital, 61% dos entrevistados apontam a falta de conectividade como principal entrave à expansão das tecnologias no campo.[5]
  • O valor do investimento em tecnologia também é barreira: 67% dos produtores citam o custo como fator limitante, à frente até de problemas estruturais de conexão.[5]
IndicadorSituação no Brasil

| Produtores rurais totais | ~5 milhões[1] | | Com alta capacidade de adoção tecnológica | ~1 milhão[1] | | Pequenos e médios com baixa assistência | ~4 milhões[1] | | Produtores que usam alguma tech digital | 84%[5] | | Principais entraves | Conectividade (61%) e custo (67%)[5] |

Além do projeto atual, a Embrapa já mantém plataformas de acesso a tecnologias, como catálogos de cultivos, criações e sistemas de produção, bem como informações sobre fornecedores licenciados.[7][9][10] A tendência é integrar esses conteúdos com as iniciativas de inclusão digital, criando canais mais acessíveis para que o produtor encontre soluções adequadas ao seu perfil.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar a localização dos DATs, os serviços oferecidos e oportunidades de capacitação gratuita ou subsidiada. A escala do projeto vai depender de orçamento público, parcerias com estados, cooperativas e empresas de tecnologia, além da capacidade de levar conectividade a áreas remotas. Para o produtor, o movimento abre espaço para reduzir custos de insumos, melhorar gestão de lavouras e acessar novos mercados, mas exige disposição para treinamento, organização de dados e adoção gradual de ferramentas digitais.

Fontes

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