Mercado

Regionalização sanitária reduz impacto comercial de Newcastle em SC

Restrições comerciais após focos de Newcastle foram concentradas em Santa Catarina e em quatro municípios, preservando grande parte das exportações brasileiras.

28 de outubro de 2026 4 min de leitura
Regionalização sanitária reduz impacto comercial de Newcastle em SC

A regionalização sanitária limitou os efeitos comerciais dos focos de doença de Newcastle registrados em Santa Catarina. Em vez de suspender as compras de todo o Brasil, a maior parte dos parceiros comerciais restringiu as importações ao estado ou a uma área específica do Oeste catarinense.

O que aconteceu

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou focos da doença em estabelecimentos avícolas comerciais de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, no Oeste de Santa Catarina. A área de emergência zoossanitária também inclui Águas Frias.

Após as confirmações, o governo federal declarou emergência zoossanitária por 60 dias nos quatro municípios. A medida ampliou a vigilância, o controle do trânsito de aves e as ações de contenção, investigação epidemiológica e despovoamento sanitário.

A estratégia de regionalização, articulada pelo Mapa e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), segue os princípios do Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O objetivo é concentrar as restrições na região afetada e manter o fluxo comercial das áreas sem evidências da doença.

Por que importa para o agro

A avicultura brasileira depende de acesso contínuo a dezenas de mercados. Uma suspensão nacional poderia gerar perdas para frigoríficos, produtores, transportadores, fornecedores de insumos e empresas ligadas à exportação.

Com a regionalização, os compradores conseguem diferenciar a origem dos produtos. Isso reduz o risco de paralisação ampla dos embarques e preserva a competitividade de estados que mantêm status sanitário favorável.

A medida também reforça a necessidade de controle rigoroso do trânsito de aves vivas, veículos, pessoas e equipamentos. Para o produtor, falhas de biosseguridade podem ampliar a área de restrição e aumentar o impacto sobre toda a cadeia regional.

Dados e contexto

As restrições adotadas pelos parceiros comerciais foram diferentes:

Mercado ou grupoRestrição informada
China, Chile, Peru e TurquiaSuspensão das compras provenientes de Santa Catarina
União Econômica Eurasiática e outros mercadosRestrições direcionadas ao estado ou à área afetada
Arábia Saudita, Japão, União Europeia e Reino UnidoLimitação à área de controle sanitário formada por quatro municípios
Uruguai, México e MalásiaSuspensão temporária das importações de todo o Brasil

O monitoramento oficial alcançou aproximadamente 133 propriedades na área de restrição, com visitas técnicas, avaliação clínica das aves e coleta de amostras para análise no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.

A vigilância também identificou propriedades comerciais sem sinais da doença. Segundo informações divulgadas pelas autoridades estaduais, mais de 15 granjas da região tiveram resultados negativos, permitindo a continuidade do fluxo produtivo conforme os protocolos sanitários.

O que observar daqui para frente

O setor deve acompanhar a evolução dos focos, os resultados da vigilância e as decisões de cada país importador. A manutenção da regionalização depende da contenção do vírus, da transparência na comunicação oficial e do cumprimento das medidas de biosseguridade. Novos casos fora da área delimitada podem ampliar as restrições e elevar a pressão sobre preços, logística e exportações.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo