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Rio Grande do Sul pode ter menos de 3 mil produtores de leite em 25 anos

Projeções indicam forte concentração da produção de leite no RS, com risco de restarem menos de 3 mil produtores em 25 anos.

05 de setembro de 2026 4 min de leitura
Rio Grande do Sul pode ter menos de 3 mil produtores de leite em 25 anos

O Rio Grande do Sul vive uma redução acelerada no número de produtores de leite e projeções apontam que, se nada mudar, o estado pode chegar a menos de 3 mil produtores em cerca de 25 anos, mantendo praticamente o mesmo volume diário de produção. O movimento acende alerta para concentração da atividade, aumento de risco social no campo e maior vulnerabilidade da cadeia láctea.

O que aconteceu

Levantamentos da Emater/RS-Ascar mostram que o estado perdeu cerca de 65% dos produtores de leite em dez anos, caindo de mais de 84 mil estabelecimentos em 2015 para pouco menos de 29 mil em 2025.

Nesse período, a produção de leite diária se manteve relativamente estável, o que indica forte concentração em menos propriedades, com maior escala e tecnificação.

Especialistas ouvidos pelo setor projetam que, mantida a tendência de saída de famílias da atividade, o RS pode chegar a algo em torno de 2,8 mil produtores em 25 anos, produzindo cerca de 10,5 milhões de litros por dia. Ou seja, muito menos produtores respondendo por praticamente todo o leite gaúcho.

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Por que importa para o agro

A concentração da produção de leite em poucas propriedades aumenta a dependência da indústria e do mercado em um número restrito de fornecedores. Isso reduz a diversidade produtiva, enfraquece regiões com pequenas bacias leiteiras e pode tornar a cadeia mais sensível a problemas climáticos, sanitários ou financeiros em grupos específicos.

Para o produtor, o cenário atual combina preços pressionados, custos elevados, necessidade de investimento e maior exigência de gestão. Quem não consegue ganhar escala ou melhorar produtividade tende a sair da atividade, acelerando a queda do número de produtores e esvaziando comunidades rurais.

Dados e contexto

Dados recentes da Emater/RS-Ascar e de entidades do setor ajudam a dimensionar o movimento:

IndicadorSituação aproximada

| Produtores de leite em 2015 | 84,2 mil | | Produtores de leite em 2023 | 33 mil | | Produtores de leite em 2025 | 28,9 mil | | Queda em 10 anos | -65% | | Rebanho leiteiro 2023 | cerca de 770 mil vacas | | Rebanho leiteiro 2025 | cerca de 743 mil vacas | | Produtores projetados em 25 anos | ≈ 2,8 mil | | Produção projetada | ≈ 10,5 milhões litros/dia |

Os dados mostram que a redução de produtores é muito mais intensa que a queda do rebanho, sinal de concentração em propriedades maiores. Em paralelo, o mercado enfrenta competição de lácteos importados, variação de custo de alimentação e necessidade de investimentos em tecnologia, bem-estar animal e qualidade.

Brasil afora, levantamentos de Embrapa, IBGE e Conab também apontam para concentração da produção em outros estados, com perda de pequenos produtores e aumento de escala em sistemas mais intensivos. O RS aparece como um dos casos mais extremos dessa mudança estrutural na cadeia do leite.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos anos, será decisivo acompanhar a capacidade de políticas públicas, cooperativas e indústria em reter produtores médios e pequenos, oferecendo assistência técnica, crédito orientado, programas de qualidade e contratos mais previsíveis. Sem essa sustentação, o estado tende a aprofundar a concentração, com impactos sociais, logísticos e de abastecimento que podem alterar de forma permanente a geografia do leite no Rio Grande do Sul.

Fontes

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