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RS deve colher safra recorde de noz-pecã em 2026

Rio Grande do Sul, líder nacional na noz-pecã, projeta safra recorde de 8 mil toneladas em 2026, impulsionando oferta e consolidando o estado no mercado.

25 de maio de 2026 4 min de leitura
RS deve colher safra recorde de noz-pecã em 2026

O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 90% da noz-pecã consumida no Brasil, projeta uma safra recorde de 8 mil toneladas em 2026, segundo estimativas da Emater/RS-Ascar. O volume supera com folga as 5,2 mil toneladas do ciclo anterior e consolida o estado como principal polo da cultura no país, com impacto direto em renda rural, oferta interna e perspectivas de exportação.

O que aconteceu

Produtores gaúchos de noz-pecã entram na colheita de 2026 com expectativa de recorde. O desempenho é atribuído ao clima favorável nas principais regiões produtoras, à entrada em produção de novos pomares e ao avanço de manejo mais tecnificado em propriedades familiares e empresariais.

A Emater/RS-Ascar projeta que a produção alcance 8 mil toneladas, salto expressivo frente às 5,2 mil toneladas colhidas na safra passada. A expansão é puxada por áreas consolidadas na Metade Sul, Missões, Serra e Fronteira Oeste, onde a cultura vem ganhando espaço sobre pastagens e outras frutíferas.

Além do volume, técnicos destacam melhora na qualidade das amêndoas, resultado de manejo nutricional mais ajustado, controle fitossanitário e colheita em ponto ideal. Isso abre margem para captar preços melhores em nichos de mercado e contratos de fornecimento para indústrias de alimentos, confeitaria e óleo.

Por que importa para o agro

A noz-pecã se consolida como alternativa de alta agregação de valor na fruticultura gaúcha, com boa adaptação ao clima subtropical e possibilidade de integração com pecuária e outras culturas. A safra recorde tende a aumentar a renda de produtores especializados e de novos investidores que entraram no segmento nos últimos anos.

Para o mercado, o salto na oferta pode reduzir importações e fortalecer a posição brasileira em negociações externas, sobretudo na América do Sul e em nichos de consumo saudável. Ao mesmo tempo, maior volume exige foco em logística, beneficiamento e comercialização, para evitar pressão excessiva sobre preços ao produtor.

Dados e contexto

A cultura da noz-pecã ainda não aparece de forma detalhada nas estatísticas de Conab e IBGE, mas dados regionais e de entidades setoriais mostram crescimento acelerado.

Indicador (RS)Valor estimado 2025/2026

| Participação na produção nacional | ~90% | | Produção 2025 | 5,2 mil t | | Produção estimada 2026 | 8 mil t | | Crescimento projetado | ~56% |

O aumento de 5,2 mil para 8 mil toneladas representa salto próximo de 56% em um ano, ritmo incomum para culturas perenes. O movimento reflete a entrada em fase plena de produção de pomares implantados há 6–10 anos, janela típica de maturação da noz-pecã.

No cenário global, segundo dados compilados por órgãos internacionais e pelo USDA, grandes produtores como Estados Unidos e México ainda dominam o mercado. Nesse contexto, o RS atua em nichos, mas com vantagem de produzir em contraestação para alguns compradores e de atender à demanda interna crescente por frutos secos, snacks e ingredientes para panificação.

O custo de implantação é considerado elevado, porém diluído ao longo da vida útil dos pomares, que pode superar 30 anos. A cultura também tem sinergia com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, linha incentivada pela Embrapa e por programas de agricultura de baixo carbono.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar de perto preços pagos na safra cheia, capacidade de beneficiamento local, abertura de novos canais com varejo e food service e eventuais oportunidades de exportação. Também será decisivo manter investimento em tecnologia de pós-colheita, regularidade de qualidade e organização em cooperativas ou associações para ganhar escala e poder de barganha ao longo da cadeia.

Fontes

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