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Rússia reconhece Brasil livre de febre aftosa sem vacinação e abre espaço para mais vendas

Reconhecimento russo do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação reforça status sanitário e pode destravar novos negócios para a carne bovina e suína.

14 de junho de 2026 4 min de leitura
Rússia reconhece Brasil livre de febre aftosa sem vacinação e abre espaço para mais vendas

O governo da Rússia reconheceu o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, reforçando o status sanitário do país e abrindo espaço para ampliar exportações de carne bovina e suína. A decisão consolida o trabalho do Ministério da Agricultura e dos serviços veterinários estaduais e tende a fortalecer a posição brasileira em mercados que exigem alto padrão sanitário.

O que aconteceu

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) informou que autoridades russas oficializaram o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação. A medida acompanha o avanço do programa nacional de erradicação da doença, que vem retirando a vacinação em etapas, conforme avaliação de risco.

Esse reconhecimento soma-se ao status já validado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para diversos estados brasileiros, que passaram a integrar os blocos livres sem vacinação após auditorias e comprovação de ausência do vírus. A Rússia, importante compradora de proteínas, passa a alinhar seus requisitos sanitários a esse novo patamar do rebanho brasileiro.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o selo de livre de febre aftosa sem vacinação tende a valorizar o rebanho e ampliar a base de compradores em segmentos de maior exigência sanitária. Mercados que pagam prêmios por carne de áreas sem vacinação podem se tornar mais acessíveis, especialmente para carne bovina, suína e derivados.

Para frigoríficos e tradings, o reconhecimento reduz barreiras técnicas, facilita habilitações de plantas e melhora a competitividade frente a concorrentes como Austrália e Estados Unidos. Em um cenário de consumo mundial mais seletivo, o Brasil fortalece a narrativa de fornecedor confiável, com rastreio e controle sanitário mais robustos.

Dados e contexto

A febre aftosa é uma das principais doenças de impacto econômico em animais de produção, afetando bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Segundo a OMSA, países livres sem vacinação têm acesso facilitado a mercados com maior valor agregado.

A Embrapa e o MAPA estruturam o Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA), que substitui gradualmente a vacinação por vigilância ativa, controle de trânsito e maior investimento em fiscalização de fronteiras. Em 2023, blocos de estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul avançaram para a condição de livres sem vacinação, acompanhando a ampliação da zona reconhecida internacionalmente.

Para o comércio exterior, o Brasil é um dos maiores exportadores globais de carne bovina e de frango, e vem ampliando presença na carne suína. Conab e USDA indicam crescimento contínuo da produção brasileira, sustentado pela demanda da Ásia e do Oriente Médio. O reconhecimento russo se soma a esse movimento, ajudando a diversificar destinos e reduzir dependência de poucos compradores.

Em termos de risco, a retirada da vacinação exige vigilância intensa em áreas de fronteira e integração entre serviços veterinários oficiais, indústrias e produtores. A manutenção do status depende de resposta rápida a qualquer foco suspeito, além de rastreabilidade eficiente.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o setor deve acompanhar eventuais novas habilitações de plantas frigoríficas para exportar à Rússia e possíveis ajustes de protocolos sanitários e de bem-estar animal. Produtores precisam ficar atentos a exigências adicionais de rastreabilidade, manejo sanitário e documentação, que podem se tornar padrão para acessar mercados mais exigentes e capturar prêmios de preço.

Fontes

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