Safra menor e importações elevam custo da moagem de trigo
Queda na safra brasileira e alta dos custos de importação pressionam moinhos e podem encarecer farinha e derivados de trigo.
A combinação de safra brasileira menor e maior necessidade de importação está encarecendo o custo da moagem de trigo, segundo a Abitrigo. Com o cereal mais caro e despesas logísticas e tributárias em alta, os moinhos operam com margens apertadas e parte desse impacto tende a chegar ao preço da farinha e de derivados consumidos diariamente pela população.[2][3][7][9]
O que aconteceu
A indústria brasileira de trigo entrou em um ciclo de custos elevados, puxado pela redução da produção nacional e pelo aumento da dependência de trigo importado para garantir o abastecimento interno.[1][3][12] A menor oferta doméstica exige mais compras externas, muitas vezes acima das cotas livres de tarifas, o que aumenta diretamente o custo da matéria-prima para os moinhos.[4][13]
Segundo a Abitrigo, o principal ponto de atenção hoje não é a falta de produto, mas o custo de importação. Taxação sobre trigo importado, alta do petróleo, fretes mais caros, seguros internacionais mais onerosos e desvalorização cambial se somam e pressionam toda a cadeia de moagem.[3][4][7][11] Em paralelo, os moinhos enfrentam dificuldade para repassar integralmente esses aumentos ao preço da farinha, o que aperta ainda mais a rentabilidade do setor.[2][6]
Por que importa para o agro
Para o produtor, o cenário de trigo mais caro pode até sustentar preços internos, mas vem acompanhado de maior volatilidade e de custos de produção elevados, o que limita a expansão de área e aumenta o risco em anos de clima adverso.[1][15] A menor safra nacional sinalizada por estimativas oficiais reduz a oferta interna e reforça a competitividade do trigo importado, principalmente de países do Hemisfério Norte e da Argentina, que já respondem por grande parte da moagem brasileira.[10][12][13]
Para a indústria e para a cadeia de alimentos, o aumento do custo da farinha tende a pressionar panificadoras, fabricantes de massas e biscoitos, impactando desde contratos de fornecimento até o consumo final. A Abitrigo já indica que, com dólar valorizado e tributos maiores sobre o trigo importado, altas de preços ao consumidor são difíceis de evitar, o que afeta o poder de compra e pode alterar hábitos de consumo.[7][9][11]
Dados e contexto
- A Conab projeta queda relevante da safra de trigo em relação ao ano anterior, em torno de 20% em algumas estimativas recentes, reduzindo a produção para cerca de 6,3 milhões de toneladas.[1][8][15]
- Em anos desafiadores, a produção nacional girou em torno de 8 milhões de toneladas, enquanto as importações ficaram na faixa de 6 a 6,5 milhões de toneladas, com destaque para Rússia, Estados Unidos e Argentina como principais fornecedores.[5][10][12]
- Em alguns períodos, o Brasil tem importado trigo acima da cota livre da Tarifa Externa Comum (TEC), pagando alíquota adicional de cerca de 10%, o que encarece ainda mais o grão para os moinhos.[4]
- Relatórios de mercado indicam alta dos preços internos do trigo na entressafra, sustentada pela oferta limitada, enquanto cotações externas recuam ou se mantêm estáveis, o que reforça o papel do câmbio e dos custos logísticos na formação de preços domésticos.[10][11]
- A Abitrigo destaca que o aumento do dólar e de tributos sobre o trigo importado já está sendo refletido nos custos dos moinhos e aponta que o reajuste da farinha de trigo será inevitável.[7][9]
| Indicador-chave | Situação atual |
|---|---|
| Safra brasileira de trigo | Menor que o ano anterior, com queda próxima de 20% em algumas estimativas[1][8][15] |
| Importações de trigo | Em alta, com compras acima da cota livre de TEC em determinados períodos[4][10][12] |
| Custos para moinhos | Pressionados por câmbio, tributos, fretes e seguros internacionais[3][7][9] |
O que observar daqui pra frente
O setor deve acompanhar de perto o comportamento do câmbio, eventuais mudanças em tarifas sobre o trigo importado e novas estimativas de safra da Conab, que podem alterar o balanço entre oferta interna e importações. Para produtores e indústrias, a atenção se volta à capacidade de repasse de custos ao longo da cadeia: se os moinhos não conseguirem ajustar preços, podem reduzir investimentos e produção; se repassarem integralmente, o impacto chega rápido à mesa do consumidor, com efeitos sobre demanda e rentabilidade do agro.[2][3][7][9]
Fontes
- Canal Rural – Safra menor e importações elevam custo da moagem de trigo, diz Abitrigo
- Sindustrigo – Produção menor de trigo no Brasil impacta preços
- CNN Brasil Agro – Moinhos têm dificuldade para repassar alta do trigo à farinha
- Revista Cultivar – Custos do trigo disparam e preocupam indústria
- G1 – Indústria do trigo diz que aumento do preço da farinha será inevitável
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