Mercado

Santa Catarina bate recorde e exporta 1,24 milhão de toneladas de carnes

Santa Catarina exportou 1,24 milhão de toneladas de carnes em sete meses, com alta em volume e receita puxada por frango e suínos.

20 de agosto de 2026 4 min de leitura
Santa Catarina bate recorde e exporta 1,24 milhão de toneladas de carnes

Santa Catarina alcançou 1,24 milhão de toneladas em exportações de carnes nos primeiros sete meses de 2026, o melhor resultado da série recente. O volume é cerca de 9% maior que o registrado no mesmo período de 2025 e garantiu uma receita de aproximadamente US$ 2,84 bilhões, com aumento superior a 12%. O desempenho reforça o estado como polo estratégico de proteína animal no Brasil.

O que aconteceu

As exportações catarinenses de carnes — com foco em frango e suínos — ganharam tração ao longo de 2026 e atingiram novo recorde no acumulado até julho. O crescimento combinou aumento de volume embarcado com melhora no faturamento em dólar, favorecido pela demanda internacional e por ajustes de preços.

Em julho, os embarques passaram de 186 mil toneladas, gerando cerca de US$ 425 milhões. A carne de frango liderou em quantidade, com algo em torno de 760 mil toneladas exportadas no ano, enquanto a carne suína respondeu por cerca de 437 mil toneladas e teve peso relevante na receita total.

A carne de frango respondeu pela maior parte do volume e apresentou alta próxima de 18% no faturamento, consolidando o produto como carro-chefe da pauta de exportações do estado. Já a carne suína concentrou grande parte da receita, mantendo Santa Catarina na liderança nacional desse segmento, apoiada em status sanitário diferenciado e acesso a mercados exigentes.

Por que importa para o agro

Para o produtor catarinense, o recorde de exportações significa mercado mais firme e maior escoamento da produção, especialmente para suínos e frango. A demanda externa ajuda a sustentar preços em momentos de oferta elevada e reduz a dependência exclusiva do consumo interno, o que é crucial para integradoras, cooperativas e independentes.

Na cadeia como um todo, o resultado reforça a importância dos investimentos em biosseguridade, sanidade animal e agroindústria. O desempenho positivo cria espaço para novos contratos, amplia a previsibilidade de plantas frigoríficas e encoraja projetos de expansão, mas também eleva a exigência por eficiência produtiva, gestão de custos e adequação às normas de bem-estar e exigências dos importadores.

Dados e contexto

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sistematizados por instituições estaduais como a Epagri/Cepa e a CIDASC, indicam uma trajetória consistente de crescimento das exportações de carnes catarinenses nos últimos anos.

  • Exportações de carnes no acumulado até julho de 2026: 1,24 milhão de toneladas
  • Crescimento de volume em relação ao mesmo período de 2025: +9%
  • Receita aproximada: US$ 2,84 bilhões
  • Crescimento da receita em relação a 2025: +12,6%
  • Volume exportado em julho: mais de 186 mil toneladas
  • Receita em julho: cerca de US$ 425 milhões
A carne de frango se consolidou como a proteína mais embarcada, com cerca de 760 mil toneladas e faturamento próximo de US$ 1,62 bilhão no período, enquanto a carne suína respondeu por aproximadamente 437 mil toneladas e US$ 1,09 bilhão. Em nível anual, dados recentes da CIDASC e do Observatório Agro Catarinense mostram que Santa Catarina vem batendo recordes desde 2024, com embarques próximos de 2 milhões de toneladas de carnes e receita acima de US$ 4 bilhões.

Esse desempenho está ligado ao status sanitário diferenciado do estado, reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação pelo MAPA e pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o que garante acesso a mercados de maior valor agregado. O perfil exportador é diversificado, com presença forte de destinos como Filipinas, China, Estados Unidos e outros países asiáticos e do Oriente Médio.

O que observar daqui pra frente

Para os próximos meses, o produtor e a indústria devem acompanhar de perto a demanda asiática, a evolução dos custos de ração (milho e soja, acompanhando dados da Conab e do USDA) e eventuais mudanças em barreiras sanitárias ou tarifárias. A continuidade do ritmo atual depende de manutenção do status sanitário, competitividade cambial e desempenho logístico, além da capacidade de a cadeia catarinense ajustar oferta, produtividade e contratos para aproveitar janelas de mercado sem perder margem.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo